O stress pré-diagnóstico

Hoje eu não estou mais estressada, graças a Deus. Tenho encarado o meu tratamento com tranquilidade, persistência e confiança em Deus. Mas, quando olho para trás, me
lembro exatamente do estado de estresse em que estava nos meses que antecederam o diagnóstico. Os meus desafios acadêmicos e pessoais eram como uma muralha diante de mim. De alguma forma, havia perdido o controle sobre o estresse que me acometia.

O estresse que afeta os pacientes com câncer tem dois lados. É descrito dentro de um mecanismo em alça de retroalimentação. Como é isso? O estresse psicológco desencadeia uma produção em excesso de noradrenalina e cortisol (hormônios do estresse). E estes, por sua vez, desequilibram a atividade das células imunológicas, inibindo o combate às células cancerosas e aumentando o processo inflamatório, recentemente descoberto como um mecanismo-chave no crescimento de tumores. Este desencadear das células tumorais aumentam ainda mais a ativação cerebral para liberação dos hormônios do estresse, tornando este quase incontrolável.

Quando perguntei a outras pacientes como era o estado emocional/psicológico delas antes de terem descoberto o câncer, todas (mais de 10 com certeza) relataram que estavam extremanente estressadas como nunca estiveram antes na vida. Um tipo de estresse onde você se sente impotente para resolver o problema. Para muitas de nós então, a notícia de se ter um câncer não foi uma grande surpresa. Parece que alguma coisa lá dentro de nós avisava que esse estresse descontrolado não ia dar em boa coisa.

Enquanto fazia o meu mestrado em neuropsicologia, aprendi, com base nos experimentos que aconteciam até mesmo em nosso programa de pós-graduação da UFES, que um certo nível de estresse e ansiedade (considerado ótimo) é fundamental para o desenvolvimento de funções como a memória e o aprendizado, e que ausência do estresse não era tão benéfico para a saúde como pensávamos. Parece que um mecamismo parecido está envolvido no desenvolvimento de tumores.

Um estudo experimental mostrou que os ratinhos estressados por choques elétricos, e que tinham a possibilidade de controlar o estresse, rejeitaram melhor os tumores agressivos (63%) em comparação aos ratinhos impotentes diante do estresse (23%) e até mesmo comparado aos que não tinham estresse algum (54%). Este estudo indica que é o sentimento de impotência frente ao estresse, gerado pela incapacidade de
administrar e resolver os problemas, é que pode facilitar o aparecimento de doenças em nosso organismo (neste caso, o câncer).

Hoje vejo que o mecanismo de retroalimentação (explicado anteriormente) pode ter exarcerbado a minha resposta ao estresse meses antes do diagnóstico. E que a desorganização da minha agenda pessoal impediu que eu o administrasse melhor. Mas, agora que estou livre do tumor e também mais consciente sobre os processos que podem desencadear o seu desenvolvimento, cabe a mim buscar uma maneira melhor de lidar com os “choques elétricos” da vida!

* figuras 1 e 2: retiradas do livro Anticâncer – prevenir e vencer usando nossas defesas naturais (páginas 80 e 170, respectivamente)

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10 pensamentos sobre “O stress pré-diagnóstico

  1. soveiculos 29/06/2011 às 00:09 Reply

    Oi Desa, Conheci seu blog através do Facebook da Carol… Provavelmente ela era sua enfermeira na QUimioterapia… Ela foi a enfermeira do meu marido por muito tempo… Nossa história foi bem parecida com a sua… Moravamos nos Estados Unidos, meu marido teve câncer de testiculo com mestastases no pulmão… Então viemos embora , Extamente 1 mês depois que chegamos ele já havia feito a cirurgia e estava na Quimio… Nosso mundo tbm estremeceu… Ainda lembro o dia do diagnóstico… Como se nosso chão desaparecesse…. Foram meses dificilimos de tratamento… Mas hj ele está Ótimo, cresceu cabelo, engordou e tem mais saúde que eu se bobear … hahahah A Carol foi parte importante dessa jornada… Prazer em te conhecer. Pensamentos positivos para vc! bjos

    • desamarinho 30/06/2011 às 21:32 Reply

      Oi Alessandra! Obrigada por compartilhar a história de vcs!
      O meu tto tb está indo bem, graças ao Bom Deus, e a Carol é uma bênçao em nossas vidas lá! 🙂
      O prazer é meu de conhecê-los e saber da história de vitória de vcs!

  2. Catherine (Catha) 29/06/2011 às 02:23 Reply

    Andresa, thank you for sharing both your reflection and the scientific knowledge! I cannot fathom the treatment and experience you’re going through. But I think that you’re such an encouragement to many–because you have CHOSEN joy over sorrow or defeat, and you have CHOSEN obedience and trust in the Lord in His Word and His promises rather than despair or self pity. You are living the Christian life. I will bet that you’ve had its tough moments to make that GOOD choice, but you HAVE chosen the good choice. And I just see you bringing glory to the Lord Jesus through all this. May you continue to remain in Him, and it seems to me that you’re deeper in Him than you ever have been. We thought of you in prayer at Angela’s apartment tonight.

    • desamarinho 30/06/2011 às 21:27 Reply

      Thanks for your encouragement and prayers, friend! 🙂

  3. Eloísa 05/07/2011 às 22:34 Reply

    Amiga, que delícia ler seu blog. Tenho reservado um tempo para saborear com calma palavra, por palavra, experiência por experiência, passo a passo. Obrigada por me ajudar a viver uma vida diferente!
    Te amo amiga querida!

  4. Gabriela 06/07/2011 às 21:52 Reply

    Sábias palavras…. tens toda a razão no que escreves….

  5. […] primeiros capítulos deste blog disse que falaria de 4 fatores que afetaram a minha saúde: 1. o stress e o estado emocional, 2. a alimentação, 3. a atividade física, 4. a espiritualidade (digo, meu […]

  6. HTTP://Metapit.pl 09/04/2013 às 23:34 Reply

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