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Minhas duas licenças do doutorado

Já se passaram 5 meses desde meu úlitmo post neste blog. Cinco meses tentando incessantemente concluir minha tese de doutorado. Era um sonho, um alvo a ser atingido antes que meu bebê nascesse. Até semana passada, estava certa (ou iludida?) de que conseguiria. Disse aos supervisores e amigos que iria escrever a tese até minha bolsa se romper.

Acho que a motivação te leva a caminhar boa parte da estrada, mas não é tudo. Eu estava super motivada e determinada. Escrevi até onde pude. E queria continuar escrevendo. Mas, outras prioridades vieram ao meu encontro e tive que passá-las na frente da tese. Essa semana, completando 37 semanas de gestação, comecei a sentir as primeiras contrações que antecedem o trabalho de parto. Corpo e mente já estão entrando em sintonia para dar à luz ao meu bebê. Vi que não dava mais para escrever linhas novas em minha tese de doutorado. Meus pais até chegaram para me ajudar. E ao invés de me trancar no escritório para escrever, eu queria muito aproveitar a companhia deles, lavar as roupinhas do bebê junto com minha mãe, parar e deixá-los sentir o bebê mexer, registrar o momento em fotos, e tudo o mais que esse período tão especial e único em nossas vidas possa nos oferecer. Então concluir que a tese podia esperar. Foi assim que ontem assinei a minha segunda licença do doutorado.

A primeira, vocês já podem supor. Foi quando tive que parar meus estudos para tratar um câncer de ovário. A primeira licença me trouxe o medo da morte. A segunda me traz a esperança de vida. Na primeira, eu fui forçada a fazê-lo. Na segunda, eu escolhi priorizar a vida e a família. A primeira foi por razões de enfermidade. A segunda por razões da maternidade. Que contraste!

Confesso que por estar bem determinada a cumrpir com a escrita da tese, essa semana, ao tomar a decisão da licença, eu me senti um pouco frustrada. Poxa, não foi dessa vez ainda. Agora as pessoas vão me perguntar, “e o doutorado?”, e eu direi “ainda não concluí, dei uma pausa para dar à luz ao meu bebê”. E garanto que muitos irão pensar ou até dizer, “mas, seria tão bom se você tivesse concluído. Agora você poderia ficar por conta do seu bebê”. Realmente, isso seria o ideal. Mas, esse ideal não se tornou possível na minha vida. A tese vai ficar para depois. Ficaram para trás aproximadamente 30 páginas para completude da tese, o que não é trivial se você pensar em uma tese de doutorado. Vai ter que realmente ficar para depois. Depois de 4, 6 meses ou até 1 ano. Ainda não dá para saber.

Sei que a maternidade irá mudar a minha vida. E com ela outras prioridades virão, certamente. Mas, creio e peço a Deus, que eu tenha a oportunidade de voltar ao doutorado e concluir a minha tarefa. Cumprir cabalmente o meu projeto.

Sei também que Ele está no controle desta pausa. Assim como esteve no controle da primeira pausa. Tudo vem dEle e é para Ele. Tudo tem o seu tempo.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.”

II

 

 

 

 

 

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O que aprendo com os meus amigos longevos

Eu e meu marido somos pessoas que valorizam muito a amizade com pessoas idosas. Temos grandes amigos que nos inspiram com sua longevidade, alguns já estão na casa dos 80 e dos 90! Muito ativos e cheios de vitalidade. Tanto no Brasil quanto no Canadá Deus nos presenteou com a amizade de amigos longevos e que nos ensinam muito como viver a verdadeira vida. Aqui eu trago oito lições que aprendi e que ainda aprendo com esses queridos amigos:

  1. Não reclamam da vida: é impressionante como isso é uma atitude comum a todos eles. Eu nunca vi nossos amigos longevos reclamando da vida, do clima, dos filhos, das dores, da velhice, de ninguém. Eu e meu marido já fizemos um exercício de tentar lembrar de alguma reclamação deles. Nada nos veio à mente. Duas dessas amigas, já em sua terceira idade, passaram pelo tratamento de câncer. E nem assim reclamaram. Encararam como um fato da vida que estavam sobretudo no controle de Deus. Além de não reclamarem de nada, também não dão muito ouvidos às nossas reclamações. Quando reclamamos com eles de alguma coisa, eles logo abreviam a conversa e dizem, “ok, vamos orar sobre isso!”.
  1. Estão sempre gratos por alguma coisa: ao invés de reclamarem, nós sempre vemos neles gratidão. Estão sempre dando graças por alguma coisa. Por alguma bênção na família, por uma conquista do neto ou de um filho, pela fruta no pé no quintal de casa, pela cachorra que está saudável, e o motivo maior de sua gratidão, por alguém ter aceitado a Jesus como Salvador! Assim eles se alegram profundamente por saber que aquela pessoa não vai mais perecer eternamente.
  1. São ativos fisicamente: seja caminhando com o cachorro, jogando tênis, nadando 3 vezes por semana, ou simplesmente visitando aqui e ali, nenhum dos nossos amigos longevos são sedentários.
  1. São ativos intelectualmente: muitos deles já foram professores, educadores, ministros e missionários. Têm como hábito a leitura da Bíblia, de livros, de artigos, e ainda se informam sobre o que acontecem no mundo. São intelectuais e antenados com a atualidade. Alguns deles ainda escrevem artigos para revistas em seus plenos 80 e 90 anos.
  1. Têm uma dieta equilibrada: quando vamos à casa deles sempre os vemos comendo de tudo, mas não são glutões. Comem o necessário para a idade. E dão preferência à comidinhas saudáveis. Quando jovens, tinham a vida bem ativa e nunca mencionaram pra gente que fizeram dieta.
  1. São sociáveis: esses nossos amigos vivem rodeados de pessoas, da família, dos amigos da vizinhança e da igreja. Eles têm a agenda cheia de encontros sociais. Sempre estão visitando e sendo visitados. Gostam de estar com pessoas. E as pessoas amam estar com eles.
  1. Respeitam o descanso: mesmo tendo a agenda cheia de compromissos, eles sabem da necessidade de descansar e zelam por isso. Sempre que ia visitar um dos casais de amigos lonjevos, eles marcavam a visita para depois da soneca do Domingo. Todos nós precisamos de um dia de descanso por semana. Um dia para andar devagar, para contemplar, para bater papo sem pressa e para adorar ao Senhor.
  1. Têm Jesus no coração: por último e não menos importante, nossos amigos longevos têm seus corações guardados em Deus. Esperam em Deus o renôvo de suas forças antes de qualquer coisa nesse mundo. Entregam para Deus os problemas e esperam nEle a solução. Espalham o Amor de Jesus por onde passam. Oram juntos todos os dias por todos os membros da família, pela obra de Deus, pelos desafios. Não são escravos do medo, mas andam com confiança nAquele que é maior.

Um dia desses eu perguntei a um deles, “Pastor, qual é o segredo de ter uma família tão abençoada?”. Eu achei que ele ia sentar comigo e me ensinar os 10 passos para se ter uma família abençoada. Ele disse “É Deus que dá e é Deus que cuida”. Vale ou não à pena deixar tudo aos pés do Senhor? Tenho certeza que o modelo de serviço e temor a Deus, associado às orações diárias por sua família, impactaram positivamente a vida de seus mais de 50 frutos!

A atitude desses amigos também têm impactado a nossa vida profundamente. São verdadeiros mentores na nossa caminhada com Deus. Nos inspiram a viver uma vida longa e temente ao Senhor. Nos ensinam o que realmente importa nessa vida. Já adquiriram a sabedoria. E esta os enriqueceram muito mais do que o dinheiro. A alegria e o contentamento são exalados de seus corações. E a esperança de uma vida com o Senhor os fazem não temer a morte. Pelo contrário, eles vivem como se tivessem mais 90 anos pela frente!

Aos nossos Amigos longevos, o nosso amor e a nossa gratidão pela amizade de vocês!
Cherry_Blossoms

Todo o dia é dia de combate ao câncer

Ontem foi mais um dia de renascimento! Cheguei do médico com mais uma notícia que meus exames estão “absolutamente normais”. Essa foi a resposta do meu oncologista. Eu nunca vou ao oncologista dando como certo que meus exames estão normais, apesar de estar fazendo a minha parte. Eu tive um câncer muito agressivo e as chances dele voltar não são zero. Então quando recebo a notícia, “seus exames estão normais!” para mim é uma alegria imensa, uma gratidão profunda por viver e por toda a boa transformação que o câncer me causou e ainda me causa. Me sinto agraciada por Deus por Ele me dar a tão preciosa vida! Me sinto presenteada! Minha vontade é de dar uma festa!

Bom, e a minha responsabilidade em tudo isso? Eu tenho certeza que Deus me curou. Eu tenho comigo escritinho o diagnóstico médico de quando cheguei ao Brasil. Deus certamente mudou o meu prognóstico de cura ali antes mesmo da cirurgia. E quando então eu acordei da cirurgia com um prognóstico melhor do que o esperado, eu tive a certeza que queria viver uma vida melhor! Pedi a Deus que o que Ele tinha para mudar em mim que Ele mudasse. Que Ele me ensinasse a viver integralmente. E que me ensinasse também por qual razão eu tive um câncer de ovário.

A primeira coisa que descobri que me alimentava mal. No meu dia-a-dia eu comia o básico, arroz, feijão, salada (alface e tomate) e uma boa dose de bife vermelho + muito suco doce ou refri depois do almoço + chocolate no meio da tarde + açucar com café (não era café com ácúcar), vários cafezinhos açucarados durante o dia etc… pequenas doses de veneno para as minhas células cancerosas que um dia dormiam. Eu penso que uma dieta desbalanceada com um coração e mente balanceados não surte tanto efeito em gente nova. Para muitos, uma dieta ruim só fará diferença lá na quinta ou sexta década de vida. Mas para mim, que tinha essa fragilidade em minhas células, foi uma dieta venenosa em doses homeopáticas que acelerou o aparecimento do meu câncer aos 33 anos de idade.O livro Anticâncer do Dr. Servan-Schreiber foi um instrumento de Deus na minha vida para me alertar de como maus hábitos alimentares associados ao stress mental e emocional podem “turbinar” células cancerígenas em nosso corpo.

Eu agradeço muito a Deus pela redescoberta de quem eu sou. Ainda diariamente eu lido com muitas de minhas fraquezas, mas hoje eu sei que as tenho, antes não. E hoje eu sei entregá-las a Cristo, antes não. Antes eu achava que todo aquele emocional nervosinho, medroso e ansioso, aquela mente muitas vezes orgulhosa, não iria me causar mal algum. Engano total! Alguém disse “você é o que você come”. Hoje eu acrescento “você é o que você come e o que você pensa”. E aprender a repensar a vida foi essencial para me garantir a saúde depois do câncer. Hoje, quando as emoções doentias me atacam, eu vou até o Senhor, respiro fundo, entrego a Ele os meus medos e ansiedades, agradeço pela sua Graça e Amor e sigo em frente! Sim, precisamos seguir em frente! Deus nos chama a não olhar pra trás, a não nos vestirmos do velho homem novamente! A renovarmos nossa mente nEle! A estarmos pronto para perdoar e nos livrarmos de ressentimentos! Que coisa boa é praticar isso! Dá uma leveza  na alma e no corpo incrível! O evangelho de Jesus é realmente integral! A conclusão foi, quanto mais você segue os ensinamentos do Mestre, melhor você vive!

Até aqui, sendo uma sobrevivente do câncer, tenho conversado com muitas colegas de tratamento, lendo sobre a doença, e lendo os doentes. Eu acredito firmemente que o câncer não é uma doença fatalítica na maioria dos casos. Daquele tipo “não sei porquê tenho câncer”. Assim como a maioria das doenças crônicas, a maioria dos cânceres está ligada a processos inflamatórios e de mutação doentia das células que são na maioria causados pelo nosso estilo de vida e pelo “mundo cancerígeno” em que vivemos (há substâncias tóxicas para todos os lados). Por isso eu acredito que na maioria dos casos, não é somente a mutação celular randômica que causa o câncer. Há evidências fortíssimas indicando o aumento do câncer com a ingestão de açúcar, de carnes açucaradas por rações e bombadas de hormônios, com o sedentarismo, produtos químicos, tabaco, stress mental e emocional, obesidade, e promiscuidade sexual. O câncer parece estar longe de ser azar. Basta olharmos para o mundo em que vivemos e para dentro de nós mesmos.

Então queridos leitores, eu não sei se meu estilo de vida está prolongando os meus dias aqui na terra. A vida e a morte pertencem ao Senhor da Vida. O que eu sei dizer é que hoje eu vivo melhor! O meu desejo para você é que você não espere acontecer algo dramático em sua vida para ter um estilo de vida mais saudável. O combate ao câncer começa ao nascer e continua por todos os dias!

Feliz Dia do Combate ao Câncer!

Nascer da esperança

O tempo passa, e o que realmente muda?

Para muitos, e eu estou nesse grupo, o último dia do ano é de reflexão e resoluções. Acho importante, ao final de cada ciclo que se fecha, pensarmos, desejarmos e planejarmos o próximo ciclo. Eu sinceramente gosto de datas que são marcos de um novo começo.

Quando saí da cirurgia de remoção do câncer em Janeiro de 2011, tive essa mesma sensação de recomeço. Depois quando terminei o tratamento de quimioterapia e nenhum sinal de câncer havia no meu corpo, de novo me veio o sentimento de que Deus estava me dando uma nova chance para recomeçar.

Atualmente, quando o ano termina, também tenho esse mesmo sentimento de recomeço. Faço planos, anoto os sonhos, digo que mudarei isso e aquilo na minha vida. Mas, o que realmente muda? E o que realmente mudou até aqui?

Bom, as viradas de ciclos que Deus me proporcionou nos últimos 4 anos realmente trouxeram mudanças, algumas radicais, no meu estilo de vida. A primeira mudança foi com a alimentação. Hoje me alimento de forma saudável do que antes. Consolidei pequenas mudanças que fizeram e fazem toda a diferença no meu dia-a-dia. Pela manhã, pão integral com finas fatias de muzzarela, yogurte, cereal, frutas vermelhas e café sem açúcar. Já virou rotina. Claro, que eu e meu marido não somos radicais, e não precisamos ser. Quando bate aquela vontade de um pãozinho francês, a gente se esbalda! E também vale lembrar que durante as festas celebramos com o que nos põe à mesa!

Bom, daí 3 horas até o almoço não comemos nada, as vezes uma fruta. Na maioria das vezes, eu só tomo água. Mas, nada de biscoitos e chocolates. Almoçamos nossa comidinha caseira que levamos na marmita, quase sempre balanceada com feijão, arroz, salada (legumes) e um tipo de carne. Ah, por falar em carne, reduzi bastante o consumo de carne vermelha. Lembro-me de comer até dois grandes bifes por refeição por dia. Não precisamos. Definitivamente, nosso corpo não precisa de tanta carne vermelha, e quando comemos em excesso carne ou açúcar, ocorre inflamação em nossas células que pode levar a várias doenças crônicas. Também é raro nos alimentarmos tomando sucos adocicados. Quando tomamos é meio copo e só. Normalmente eu chupo uma laranja ou uma fruta cítrica logo após as refeições ou tomo água um pouco depois de comer.

Aqui no Canadá a gente janta cedo. Então, entre o horário do almoço até a janta, comemos uma banana ou maçã. As vezes rola um biscoitinho integral com café sem açúcar no meio da tarde, mas não é sempre. Ah, a sobremesa? Nos dias de semana normalmente não temos. Mas, um bombom ou um pedacinho de chocolate é bem-vindo. Gostamos tb de um sorvetinho, no final de semana, ou quando recebemos visitas. O importante é comer a sobremesa sempre depois de grandes refeições. Assim, o açúcar não inflama muito as células do seu organismo.

Hoje em nossa vida, o comer bem virou hábito. E não precisamos nos esforçar para manter esse hábito alimentar. Eu acho que é aí que mudamos de verdade. Quando um ato vira hábito. Vejo que esse hábito de comer saudável tem proporcionado a mim e ao meu marido uma excelente qualidade de vida aqui no Canadá. Quase nunca pegamos gripe. Meu cabelo nunca cresceu tão rápido em toda a minha vida. E não sinto a minha digestão tão pesada como antigamente. Então no quesito comer, a resolução para 2015 é manter a alimentação saudável no cardápio.

Agora, vamos ao exercício físico. Nessa área, ainda precisamos de fortes resoluções. O que fazemos hoje, e é o que nos tira da zona do sedentarismo, é irmos para o trabalho a pé. Caminhamos 25 minutos para ir e para voltar, seja debaixo de chuva, sol ou neve. Mas, claro que isso não é o suficiente. A nossa meta é pegar mais pesado, suar a camisa mesmo, pelo menos 3 vezes por semana. Vamos lá! Vamos tentar! Moramos no 11o andar do nosso prédio e estamos com um projeto escadas aí na cabeça para por em prática em 2015, enquanto lá fora estiver nevando!

E as emoções? Oh, as emoções! Essas refletem muito quem somos de verdade. Por isso é a parte mais difícil de mudar. Faz parte de nossa personalidade, de nosso modo de ser mesmo. Mas, precisamos identificar o que nos faz mal, e entregarmos a Jesus. Sim, a Jesus. Durante o tratamento do câncer, Deus me desnudou. Me mostrou todas as minhas fraquezas, incluindo as que levaram o câncer a se desenvolver em mim. Então pensei, “gente eu não posso continuar pensando assim, tenho que mudar essas emoções negativas e tal”. Mas, as emoções faziam parte de mim. Era o meu jeito de ser e de pensar. E sozinha, eu não conseguia pensar diferente. Foi quando eu me vi totalmente envolvida pela graça de Deus… quando percebi que Ele, o Criador do Universo e meu Pai, me amava mesmo assim, com todas as minhas imperfeições. O que eu precisava fazer era me entregar totalmente a Ele. A grande mudança estava em se entregar totalmente a esse Amor. Era a entrega completa do meu ser que Deus estava esperando receber. E é assim que hoje me sinto, totalmente nas mãos do Senhor. O meu espírito e mente ficam muito mais leves quando entrego tudo a Ele. E é nessa entrega que Ele nos aperfeiçoa para a Sua glória.

Somos imperfeitos, e carecemos da graça de Deus continuamente. E precisaremos dela enquanto aqui viver. Só estaremos livres de nossas imperfeições quando nos unirmos completamente a Ele em um mundo que ainda está por vir. Mas, enquanto aqui estivermos, quanto mais perto dEle caminharmos, melhor viveremos! E que assim então seja a minha e a sua caminhada pelo ano de 2015, bem pertinho do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Feliz Ano Novo! Feliz Vida Nova em Deus!

eu_e_meu_amor

Um doutorado que vai muito além do título

A primeira coisa que as pessoas falam para mim quando digo a elas que estou fazendo um doutorado é “hmm que chic! Vai virar doutora!”. Muitos podem pensar que um título de doutora é chic. Mas, um doutorado vai muito além do status de ser doutor.

University College, Universidade de Toronto

University College, Universidade de Toronto

O meu doutorado tem sido um instrumento de Deus para me transformar numa pessoa melhor. Tem servido para aparar minhas arestas. Tem me ensinado que o mais importante é ouvir e aprender, e depois falar. Tem me ensinado a trabalhar em time e com pessoas diferentes de você que contribuem para o projeto e para o afinamento do seu caráter como pessoa. Fazer doutorado é ser transformado por um processo árduo e penoso, e ao mesmo tempo gratificante. Especialmente quando os seus examinadores e você mesmo vêem o progresso de todo o esforço e dedicação.

O doutorado também me ensina a ter disciplina. Eu não tenho essa habilidade nata. Eu sou muito indisciplinada com o tempo e com os prazos. Mas hoje vejo claramente como o doutorado tem contribuído para eu melhorar nessa área. Hoje eu tenho que traçar metas com prazos definidos. E eu não posso adiar a completude de uma tarefa só porque eu estou cansada ou com preguiça. A disciplina exige perseverar até quando os ventos são contrários. E ventos contrários é o que não falta em um doutorado.

E por fim, o doutorado me ensina que sempre há espaço para aprender mais, para fazer melhor do que já fiz. O ser humano, enquanto aqui viver, nunca estará completo, no sentido de ter aprendido tudo, de ser o dono do conhecimento. E sempre haverá na terra alguém que sabe mais que você.

E é por todo esse aprendizado que hoje eu estou grata a Deus. Por toda essa transformação. Pelas arestas aparadas. Pela oportunidade de estudar numa das melhores universidades do mundo. Pela riqueza que é o conhecimento de Deus, e que no doutorado ele me dá a chance de conhecer uma frestinha do que ele já desenhou e já conhece desde a fundação do mundo!

“Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!
Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?
Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?
Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas.
A ele seja a glória para sempre! Amém.”

Romanos 11:33-36

Aprendendo a ser “morning person”

Bom dia querido (a) leitor (a)! hibiscus_morning

Hoje é o primeiro dia do meu projeto “morning person” e queria compartilhar com vcs. Eu cheguei a conclusão que se eu não começar a trabalhar 2 horas antes do que eu costumo a fazer, eu não cumprirei a minha meta de defender o meu doutorado até meados do ano que vem.

Essa semana tive a certeza que acordar mais cedo é preciso, para não precisar sacrificar o meu tempo com a família e com os amigos. Ser estudante de doutorado, esposa, amiga e dona de casa requer horas a mais do meu dia. E eu percebi que eu estava perdendo 2 horas dos meus dias de semana só pra curtir aquela preguicinha na cama pela manhã.

Hoje consegui cumprir minha meta com 12 minutos de atraso. Amanhã espero ser melhor. O maridão deu a maior força e até fez o café da manhã! Ontem dormimos pedindo a Deus que nos despertasse para o dia! Que nos enchesse de energia e disposição para trabalhar e aproveitarmos melhor nossas preciosas horas! E Ele nos respondeu!

Gostei da experiência de sentir a brisa matinal enquanto vinha de bicicleta até aqui. Gostei da luz da manhã mais suave. Do ar mais fresco. Da sensação de dever cumprido.

Agora é focar no objetivo disso tudo, me dedicar mais na reta final do doutorado, com equilibrio e com tempo para tudo. Que Deus continue me acordando pra vida, e mais cedo!

Um bom dia pra vc, que acorda mais cedo ou mais tarde!

Aprendendo o que não aprendi ainda

Escrevo esse post na calmaria à beira do Oceano Pacifico em Vancouver, após uma noite e uma manhã de tempestades.

Estou aqui para uma conferência E hoje era dia de apresentar o meu pôster. Eu vim bem empolgada com este poster, e digo até um pouco orgulhosa depois que meu orientador me elogiou meu trabalho.

O poster me deu realmente muito trabalho para fazer. Fiz análises e mais analises. Ajustes e mais ajustes nas variáveis que estudo. Achei que estava tudo certo.

Mas ontem a noite resolvi dar mais uma investigada nos dados e lá estava um valor de p incorreto que mudaria toda a conclusão do poster. Desesperei. Conferi todas as análises novamente, e nao tinha como eu apresentar o poster numa conferencia internacional com aquele pequeno, mas importante erro.

A apresentacao era 9:30 da manhã. e ali estava eu a corrigir o poster em plena 2 hs da manhã. Lamentei por eu e meus co-autores nao terem visto isso antes. refleti sobre a minha fragilidade com planejamento e organização. Mas com um sentimento no coração que agora, nessa altura do campeonato não adiantaria chorar o leite derramado.

Então corrigi o poster e planejei imprimi-lo assim q o lugar da impressão abrisse.

Amanheço e ligo para vários lugares e nenhum deles tinha como imprimir de última hora. Não sabia o que fazer. A caminho da conferência decidi imprimir o pôster corrigido em papel A4 e entregar para os leitores.

Estava desolada. Impotente diante daquela situação. Já tinha clamado a Deus por um milagre. Mas naquele ponto não sabi mais o que pensar, quando de repente pego a saída “errada” do metrô e dou de cara com um lugar de impressão. um daqueles que bunca acharia numa busca online.

Entrei. 8:30 da manhã. Perguntei meio sem acreditar que daria tempo. E a moça toda simpática disse que eles imprimiriam sim e a tempo de eu chegar p minha apresentação. Fiquei como quem sonha. A moça simpática com confiancça no seu serviço tentava me acalmar. O senhorzinho da impressão fazendo tudo rápido e com zelo.

Poster pronto. Eles chamam o taxi para mim. Chego na conferencia faltando 12 minutos para a presentação. Grata, sem palavras e com a certeza de que agora havia interpretado corretamente os dados.

Durante 2 horas e meia não parei de falar, comunicando os meus achados aos interessados que vinham ao pôster. Aprendendo com os experts e feliz de ter um Deus que nunca me deixa só!

As lições foram aprendidas. Poderia nomeá-las aqui. Mas prefiro ficar agora com o sabor da graça de Deus e da calmaria depois de uma tempestade.

Vancouver_city