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E o cisto era mesmo funcional! Aleluia!

No post do dia 23 de Março (Resultados… e cuidados!) compartilhei aqui sobre o cisto que foi diagnosticado no meu ovário direito, com suspeita de ser funcional. Aproveitei para falar dos sintomas que esse cisto me acarretou, da minha consciência corporal que aumentou muito depois do câncer, e dos cuidados que devemos ter com o nosso corpo.

E hoje eu estou aqui para dizer que o cisto é mesmo funcional! Tá confirmado com exames detalhados! Louvei a Deus por isso! Está tudo normal! Mas, vc pode estar se perguntando “O que é um cisto funcional?”. Cistos funcionais são comuns de aparecer no ovário da mulher por volta da metade do ciclo menstrual (no período da ovulação). A hipófise (uma pequena glândula localizada na base do cérebro) produz um pico de hormônio luteinizante (LH) que avisa ao folículo lá no ovário que é chegado o momento de liberar o óvulo. Quando acontece um distúrbio na liberação deste óvulo, desenvolvem-se os cistos. Se esse cisto for funcional (ou fisiológico), no período da sua menstruação, ele deve diminuir de tamanho. E foi o que aconteceu comigo! 🙂

O fato é que meu ovário direito está sentindo falta do esquerdo e por isso trabalhou a mais por alguns meses para compensar essa ausência. Agora está tudo tranquilo e funcionando muito bem!

O nosso corpo é perfeitamente engenhoso e sempre tenta compensar a falta de alguma parte, função ou substância. Só que se essa compensação se desregular, pode gerar doenças ou mal-funcionamento do organismo.

Os cistos mesmos podem se malignizar, principalmente depois da menopausa, e portanto, exames mais detalhados podem ser necessários. Por isso, mais uma vez alerto as minhas amigas e leitoras para ficarem atentas a qualquer desconforto persistente ou anormalidade na sua cavidade pélvica. Sobre os sintomas do câncer de ovário, eu já fiz meu alerta no post “Mas, o que vc sentiu?”, e tem até um formulário lá para baixar e preencher caso vc esteja ou conhece alguém que esteja com esses sintomas. Mas, é preciso fazer os exames regularmente, mesmo se não houver sintomas, pois a maioria dos cistos e tumores do ovário são silenciosos… um perigo!

Então vamos lá meninas! Cuidado e consciência corporal na medida certa fazem bem à saúde! E nós mulheres de hoje em dia precisamos de muita saúde para aguentar o tranco da vida moderna, não é mesmo? 😉

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Resultados… e cuidados!

Desde o início deste blog, nunca foi minha intenção transformar os meus posts em boletins médicos… mas, em decorrência do post de ontem, acredito que criei uma certa expectativa em meus leitores e amigos sobre o resultado dos meus exames.

Então decidi registrar aqui o que aconteceu e conversar mais de perto com vocês a respeito…

Graças a Deus, o sangue estava normalíssimo! Marcadores do câncer negativos, células de defesa no lugar, e nem anemia eu tinha! Mas… a imagem de tomo mostrou um cisto (provavelmente funcional) em ovário direito. O que irei investigar com outros exames de imagem no decorrer do mês de Abril…

O engraçado é que esse resultado não me assustou nem um pouco. Quando a minha médica me falou, eu imediatamente disse.. .eu já sabia!! Ela perguntou como… Eu disse que depois do câncer a minha consciência corporal aumentou muito e que estava muito mais cuidadosa com meu corpo e muito mais alerta às pequenas alterações (hoje eu faço palpação do abdome e das mamas periodicamente…), além de outros cuidados para me manter mais saudável. Então eu disse a ela que havia notado o meu abdome mais entumescido (inchado) que o normal durante o meu último ciclo menstrual e suspeitei que algum cisto no ovário poderia ter rompido dentro da minha cavidade pélvica durante a minha ovulação… Ainda bem que a consulta já estava marcada para esclarecer o que estava acontecendo. E o meu desejo é que este cisto seja mesmo funcional! Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

Bom, o que queria alertar mesmo com tudo isso é que a maioria dos cânceres do nosso sistema reprodutor desenvolve-se de forma silenciosa e por isso é importante que cuidemos do nosso corpo com carinho e amor, procurando fazer os exames periódicos, desenvolvendo a nossa consciência corporal e hábitos de vida saudáveis!

Hoje em dia somos atacados por potenciais cancerígenos por todos os lados… na alimentação, nos produtos de beleza e até mesmo no ar que respiramos! Por isso é importante preparar um bom sistema de defesa para combater todos esses agressores diariamente!

Bom, isso é o que compete a nós fazermos… mas, sempre penso que todas essas estratégias são limitadas… não nos podem garantir a vida para sempre… é preciso aliar a tudo isso a consciência de que fomos criados com um propósito eterno, e que, acredito, começa com um melhor trato no relacionamento com a gente mesmo, com Deus e com o próximo aqui e agora!

Um bom dia a tod@s! 😉

Você tem medo de quê?

Desde ontem o medo tem rondado o meu coração e a minha mente… Por quê? Porque hoje é dia de encontrar a minha oncologista e receber todos os resultados dos últimos exames.

Para quem vem lendo o meu blog já sabe que eu creio em Deus Pai, Filho e Espírito Santo… sabem também que a minha caminhada até aqui tem sido uma prova do amor e da misericórdia de Deus para comigo… sabem também de quantos aprendizados eu já tive com toda essa minha trajetória desde o diagnóstico do câncer. Aprendizados para experimentar uma vida mais saudável e plena!

E eu agradeço muito a Deus (Ele sabe) de tudo isso ter acontecido comigo! Pela Sua presença constante, Seus ensinamentos… também pelo apoio e carinho da família e dos amigos…

Então por que o medo? Porque somos fracos e necessitados de Deus! Acredito que, se não tivéssemos pecado originalmente, a nossa natureza seria diferente… Não existiria o mal dentro de nós, não haveria desconfiança, dúvida, incerteza… o nosso relacionamento com o Criador seria pleno e plenamente satisfeito n’Ele e nas coisas que Ele criou para nós! Teríamos sempre a confiança no Seu cuidado e no Seu amor… sempre!

Então está tudo perdido? Não, de forma alguma! Ele nos ofereceu o Seu próprio Filho para que o nosso relacionamento pleno com Ele fosse resgatado. E é por isso que hoje eu olho para Cristo e entrego os meus medos a Ele. Reconheço as minhas fraquezas, recebo o Seu perdão e olho para a frente com a esperança de que Ele é quem tem o controle da minha vida!

E cheia dessa esperança, eu faço minhas as palavras do salmista (Salmos 56:3):

“Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti”

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Dia de exames

Acabei de chegar do ICESP. Hoje foi o dia de refazer as tomografias computadorizadas de tórax, abdome e pelve para reavaliação após tratamento. É um exame que faço a cada 6 meses para averiguar se está tudo certinho lá dentro. E cada vez que me submeto a este exame passa um filme na minha cabeça. Primeiro, porque você acaba tendo muito tempo para pensar enquanto espera ser chamada. Segundo, porque o contexto à sua volta… outros pacientes, enfermeiros e médicos… te trazem à memória dias vividos em tempos de tratamento.

E que dias foram aqueles! Ao mesmo tempo que me lembrei de cenas de cansaço e enjoo, também me lembrei de quanto Deus estava presente ali, me sustentando e me livrando de muitos outros e piores efeitos colaterais da quimioterapia. Também me lembrei dos bons livros que eu li durante a quimio, e faço questão de sugerir a leitura de um deles… o “Ser é o Bastante – Felicidade à Luz do Sermão do Monte”, de Carlinhos Queiroz. Ô livrinho bom! Caiu como uma luva para o meu tratamento. Redescobri que “a felicidade é um estado de alma, uma condição de se perceber realizado com a vida, um sentimento de paz interior que, ao que tudo indica, nunca se esgota…”, nem com as maiores dificuldades que a gente possa enfrentar nessa vida.

Também me lembrei das minhas acompanhantes de tratamento. A primeira delas foi minha mãe, mulher forte e abençoada, que enquanto me esperava, ouvia os lamentos de outros pacientes e dava conselhos sábios das Escrituras Sagradas. Depois veio minha tia Ceni. Essa não conseguia parar quieta… e essa inquietude a fazia servir os outros acompanhantes que estavam meio perdidos por ali. Ela ia com eles arrumar ambulância, assistente social, etc… fora as histórias mirabolantes e engraçadas que ela não parava de contar e fazia todos sorrirem. A terceira e última acompanhante da quimio foi minha tia Esperança… não tinha nome melhor para me acompanhar no último ciclo de quimio. Ela é muito calma, tranquila e amorosa. Foi a pessoa certa para passar o úlitmo e mais difícil ciclo de quimioterapia ao meu lado! Hoje pela manhã, eu fui acompanhada pela minha amiga Bruna, que teve a disponibilidade e consideração de seguir comigo bem cedinho para o hospital.

Só sei que enquanto lembrava do sustento de Deus e da força que Ele me deu para passar por tudo aquilo, o receio e o medo com o exame foram desaparecendo… de repente me vi cantando algumas canções… a paz e a confiança voltaram… e acabou correndo tudo bem no procedimento!

No final ainda recebo a mensagem de texto carinhosa do meu namorado com o versículo “Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do Espírito Santo” (Romanos 15:13).

Sim, que a verdadeira ESPERANÇA habite em nossos corações sempre!

Dia de reconsulta

Ontem foi o dia da minha reconsulta no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. E sempre tenho a necessidade de levar alguém comigo… uma amiga, tia, mãe, alguém que possa enfrentar a realidade de um hospital de câncer junto comigo. Mas, ontem não tinha ninguém para me acompanhar. As amigas estavam todas trabalhando e a minha família lá nas Minas Gerais.

Então pedi que o melhor companheiro desse mundo se juntasse a mim naquele momento. Na entrada no hospital, pedi a presença de Jesus ali comigo e
que Ele me fortalecesse para enfrentar o sofrimento de outras pessoas. O meu já havia terminado.

O hospital estava congestionado de pacientes por todos os lados… uns mais fortes, outros mais fracos. Mulheres com perucas, sem peruca, de lenço… e mulheres com o cabelo curtinho como o meu, com o rosto calmo e feliz por ter vencido essa grande batalha. Estava então eu ali, no meio deles, com a força e a paz que só Jesus pode dar. Porque Ele sabe o que é sofrer e sua presença pode consolar a outros que ainda sofrem nessa terra.

Então bem ali na espera do elevador, começo a compartilhar o sofrimento de uma mulher que perdeu o marido com câncer há 5 dias atrás. Ela me contou que fez de tudo pra tratar e salvar a vida dele. A luta foi grande por 1 ano e 6 meses, e enquanto ela lembrava desse sofrimento, as lágrimas começaram a descer em seu rosto. As minhas ficaram engasgadas na garganta. Ela estava ali pela 2a vez para requerer um atestado para repor o dia de trabalho que ela perdeu por conta da morte do marido. E disse que esse dia ia fazer muita diferença no seu orçamento. Ela agora sustenta a casa com um filho de 14 anos.

Disse a ela que o Espírito de Deus iria consolá-la e que a vida continua com todos os nossos aprendizados decorrentes do sofrimento. Eu compartilhei com ela o que aprendi. Falei da importância da fé e da nossa responsabilidade em cuidar bem do nosso corpo, mente e espírito com boa alimentação, atividade física, controle do stress e fé. Foi nesse momento que ela disse que seu marido não seguia nada disso e que continuou fumando durante a quimioterapia. Isso lhe trouxe uma hemorragia que o levou a morte.

Eu descobri que muita gente é assim. Negam a existência do câncer e continuam com os mesmos maus hábitos de sempre, aliado a uma grande revolta de ter sido acometido pela “terrível doença”. Já ouvi muitas pessoas falarem “por que não um assassino, um ladrão? por que logo eu fui ter essa doença?”. E assim não conseguem olhar para si mesmos e aprender com a grande lição que o câncer lhes dá.

Então subi de elevador, e lá no 5o andar, quando esperava a remarcação dos meus exames, sento do lado de moça nova, bonita, com o aspecto ótimo e com uma senhora de lenço sentada do lado dela. Logo pensei, ela é acompanhante dessa senhora. Mas, enquanto conversávamos ela disse que, além da mãe, também teve câncer, e nos ossos. Sua quimioterapia foi pesada, daquelas que se interna para tomar a droga por 24 horas. Depois interna de novo para recuperação do desgaste que a droga traz.

E ela me contava a história dela com uma alegria radiante! A gente conseguiu até rir das nossas histórias. Parecíamos duas loucas agradecendo a Deus por ter tido o câncer. Estávamos gratas por todo o excepcional aprendizado que o câncer nos trouxe e que isso foi recompensador para todas as áreas da nossa vida. Hoje, ela (e eu também) vive melhor, come melhor, está mais sensível ao cuidado do corpo, da mente e do espírito…. faz as coisas que gosta, não se entristece ou se estressa por qualquer razão. Enfim, hoje estamos muito mais de bem com vida do que estávamos antes de adoecer. Gostei tanto da história dela que a convidei a contá-la aqui no blog qualquer dia desses.

Ah… qual foi o resultado da minha reconsulta? A minha médica me disse mais uma vez que meus exames de sangue estavam normais e que eu estava realmente ótima! E o conselho dela foi “para de se preocupar! vai viver e ser feliz!”.

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