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Todo o dia é dia de combate ao câncer

Ontem foi mais um dia de renascimento! Cheguei do médico com mais uma notícia que meus exames estão “absolutamente normais”. Essa foi a resposta do meu oncologista. Eu nunca vou ao oncologista dando como certo que meus exames estão normais, apesar de estar fazendo a minha parte. Eu tive um câncer muito agressivo e as chances dele voltar não são zero. Então quando recebo a notícia, “seus exames estão normais!” para mim é uma alegria imensa, uma gratidão profunda por viver e por toda a boa transformação que o câncer me causou e ainda me causa. Me sinto agraciada por Deus por Ele me dar a tão preciosa vida! Me sinto presenteada! Minha vontade é de dar uma festa!

Bom, e a minha responsabilidade em tudo isso? Eu tenho certeza que Deus me curou. Eu tenho comigo escritinho o diagnóstico médico de quando cheguei ao Brasil. Deus certamente mudou o meu prognóstico de cura ali antes mesmo da cirurgia. E quando então eu acordei da cirurgia com um prognóstico melhor do que o esperado, eu tive a certeza que queria viver uma vida melhor! Pedi a Deus que o que Ele tinha para mudar em mim que Ele mudasse. Que Ele me ensinasse a viver integralmente. E que me ensinasse também por qual razão eu tive um câncer de ovário.

A primeira coisa que descobri que me alimentava mal. No meu dia-a-dia eu comia o básico, arroz, feijão, salada (alface e tomate) e uma boa dose de bife vermelho + muito suco doce ou refri depois do almoço + chocolate no meio da tarde + açucar com café (não era café com ácúcar), vários cafezinhos açucarados durante o dia etc… pequenas doses de veneno para as minhas células cancerosas que um dia dormiam. Eu penso que uma dieta desbalanceada com um coração e mente balanceados não surte tanto efeito em gente nova. Para muitos, uma dieta ruim só fará diferença lá na quinta ou sexta década de vida. Mas para mim, que tinha essa fragilidade em minhas células, foi uma dieta venenosa em doses homeopáticas que acelerou o aparecimento do meu câncer aos 33 anos de idade.O livro Anticâncer do Dr. Servan-Schreiber foi um instrumento de Deus na minha vida para me alertar de como maus hábitos alimentares associados ao stress mental e emocional podem “turbinar” células cancerígenas em nosso corpo.

Eu agradeço muito a Deus pela redescoberta de quem eu sou. Ainda diariamente eu lido com muitas de minhas fraquezas, mas hoje eu sei que as tenho, antes não. E hoje eu sei entregá-las a Cristo, antes não. Antes eu achava que todo aquele emocional nervosinho, medroso e ansioso, aquela mente muitas vezes orgulhosa, não iria me causar mal algum. Engano total! Alguém disse “você é o que você come”. Hoje eu acrescento “você é o que você come e o que você pensa”. E aprender a repensar a vida foi essencial para me garantir a saúde depois do câncer. Hoje, quando as emoções doentias me atacam, eu vou até o Senhor, respiro fundo, entrego a Ele os meus medos e ansiedades, agradeço pela sua Graça e Amor e sigo em frente! Sim, precisamos seguir em frente! Deus nos chama a não olhar pra trás, a não nos vestirmos do velho homem novamente! A renovarmos nossa mente nEle! A estarmos pronto para perdoar e nos livrarmos de ressentimentos! Que coisa boa é praticar isso! Dá uma leveza  na alma e no corpo incrível! O evangelho de Jesus é realmente integral! A conclusão foi, quanto mais você segue os ensinamentos do Mestre, melhor você vive!

Até aqui, sendo uma sobrevivente do câncer, tenho conversado com muitas colegas de tratamento, lendo sobre a doença, e lendo os doentes. Eu acredito firmemente que o câncer não é uma doença fatalítica na maioria dos casos. Daquele tipo “não sei porquê tenho câncer”. Assim como a maioria das doenças crônicas, a maioria dos cânceres está ligada a processos inflamatórios e de mutação doentia das células que são na maioria causados pelo nosso estilo de vida e pelo “mundo cancerígeno” em que vivemos (há substâncias tóxicas para todos os lados). Por isso eu acredito que na maioria dos casos, não é somente a mutação celular randômica que causa o câncer. Há evidências fortíssimas indicando o aumento do câncer com a ingestão de açúcar, de carnes açucaradas por rações e bombadas de hormônios, com o sedentarismo, produtos químicos, tabaco, stress mental e emocional, obesidade, e promiscuidade sexual. O câncer parece estar longe de ser azar. Basta olharmos para o mundo em que vivemos e para dentro de nós mesmos.

Então queridos leitores, eu não sei se meu estilo de vida está prolongando os meus dias aqui na terra. A vida e a morte pertencem ao Senhor da Vida. O que eu sei dizer é que hoje eu vivo melhor! O meu desejo para você é que você não espere acontecer algo dramático em sua vida para ter um estilo de vida mais saudável. O combate ao câncer começa ao nascer e continua por todos os dias!

Feliz Dia do Combate ao Câncer!

Nascer da esperança

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O tempo passa, e o que realmente muda?

Para muitos, e eu estou nesse grupo, o último dia do ano é de reflexão e resoluções. Acho importante, ao final de cada ciclo que se fecha, pensarmos, desejarmos e planejarmos o próximo ciclo. Eu sinceramente gosto de datas que são marcos de um novo começo.

Quando saí da cirurgia de remoção do câncer em Janeiro de 2011, tive essa mesma sensação de recomeço. Depois quando terminei o tratamento de quimioterapia e nenhum sinal de câncer havia no meu corpo, de novo me veio o sentimento de que Deus estava me dando uma nova chance para recomeçar.

Atualmente, quando o ano termina, também tenho esse mesmo sentimento de recomeço. Faço planos, anoto os sonhos, digo que mudarei isso e aquilo na minha vida. Mas, o que realmente muda? E o que realmente mudou até aqui?

Bom, as viradas de ciclos que Deus me proporcionou nos últimos 4 anos realmente trouxeram mudanças, algumas radicais, no meu estilo de vida. A primeira mudança foi com a alimentação. Hoje me alimento de forma saudável do que antes. Consolidei pequenas mudanças que fizeram e fazem toda a diferença no meu dia-a-dia. Pela manhã, pão integral com finas fatias de muzzarela, yogurte, cereal, frutas vermelhas e café sem açúcar. Já virou rotina. Claro, que eu e meu marido não somos radicais, e não precisamos ser. Quando bate aquela vontade de um pãozinho francês, a gente se esbalda! E também vale lembrar que durante as festas celebramos com o que nos põe à mesa!

Bom, daí 3 horas até o almoço não comemos nada, as vezes uma fruta. Na maioria das vezes, eu só tomo água. Mas, nada de biscoitos e chocolates. Almoçamos nossa comidinha caseira que levamos na marmita, quase sempre balanceada com feijão, arroz, salada (legumes) e um tipo de carne. Ah, por falar em carne, reduzi bastante o consumo de carne vermelha. Lembro-me de comer até dois grandes bifes por refeição por dia. Não precisamos. Definitivamente, nosso corpo não precisa de tanta carne vermelha, e quando comemos em excesso carne ou açúcar, ocorre inflamação em nossas células que pode levar a várias doenças crônicas. Também é raro nos alimentarmos tomando sucos adocicados. Quando tomamos é meio copo e só. Normalmente eu chupo uma laranja ou uma fruta cítrica logo após as refeições ou tomo água um pouco depois de comer.

Aqui no Canadá a gente janta cedo. Então, entre o horário do almoço até a janta, comemos uma banana ou maçã. As vezes rola um biscoitinho integral com café sem açúcar no meio da tarde, mas não é sempre. Ah, a sobremesa? Nos dias de semana normalmente não temos. Mas, um bombom ou um pedacinho de chocolate é bem-vindo. Gostamos tb de um sorvetinho, no final de semana, ou quando recebemos visitas. O importante é comer a sobremesa sempre depois de grandes refeições. Assim, o açúcar não inflama muito as células do seu organismo.

Hoje em nossa vida, o comer bem virou hábito. E não precisamos nos esforçar para manter esse hábito alimentar. Eu acho que é aí que mudamos de verdade. Quando um ato vira hábito. Vejo que esse hábito de comer saudável tem proporcionado a mim e ao meu marido uma excelente qualidade de vida aqui no Canadá. Quase nunca pegamos gripe. Meu cabelo nunca cresceu tão rápido em toda a minha vida. E não sinto a minha digestão tão pesada como antigamente. Então no quesito comer, a resolução para 2015 é manter a alimentação saudável no cardápio.

Agora, vamos ao exercício físico. Nessa área, ainda precisamos de fortes resoluções. O que fazemos hoje, e é o que nos tira da zona do sedentarismo, é irmos para o trabalho a pé. Caminhamos 25 minutos para ir e para voltar, seja debaixo de chuva, sol ou neve. Mas, claro que isso não é o suficiente. A nossa meta é pegar mais pesado, suar a camisa mesmo, pelo menos 3 vezes por semana. Vamos lá! Vamos tentar! Moramos no 11o andar do nosso prédio e estamos com um projeto escadas aí na cabeça para por em prática em 2015, enquanto lá fora estiver nevando!

E as emoções? Oh, as emoções! Essas refletem muito quem somos de verdade. Por isso é a parte mais difícil de mudar. Faz parte de nossa personalidade, de nosso modo de ser mesmo. Mas, precisamos identificar o que nos faz mal, e entregarmos a Jesus. Sim, a Jesus. Durante o tratamento do câncer, Deus me desnudou. Me mostrou todas as minhas fraquezas, incluindo as que levaram o câncer a se desenvolver em mim. Então pensei, “gente eu não posso continuar pensando assim, tenho que mudar essas emoções negativas e tal”. Mas, as emoções faziam parte de mim. Era o meu jeito de ser e de pensar. E sozinha, eu não conseguia pensar diferente. Foi quando eu me vi totalmente envolvida pela graça de Deus… quando percebi que Ele, o Criador do Universo e meu Pai, me amava mesmo assim, com todas as minhas imperfeições. O que eu precisava fazer era me entregar totalmente a Ele. A grande mudança estava em se entregar totalmente a esse Amor. Era a entrega completa do meu ser que Deus estava esperando receber. E é assim que hoje me sinto, totalmente nas mãos do Senhor. O meu espírito e mente ficam muito mais leves quando entrego tudo a Ele. E é nessa entrega que Ele nos aperfeiçoa para a Sua glória.

Somos imperfeitos, e carecemos da graça de Deus continuamente. E precisaremos dela enquanto aqui viver. Só estaremos livres de nossas imperfeições quando nos unirmos completamente a Ele em um mundo que ainda está por vir. Mas, enquanto aqui estivermos, quanto mais perto dEle caminharmos, melhor viveremos! E que assim então seja a minha e a sua caminhada pelo ano de 2015, bem pertinho do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Feliz Ano Novo! Feliz Vida Nova em Deus!

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Aprendendo a ser “morning person”

Bom dia querido (a) leitor (a)! hibiscus_morning

Hoje é o primeiro dia do meu projeto “morning person” e queria compartilhar com vcs. Eu cheguei a conclusão que se eu não começar a trabalhar 2 horas antes do que eu costumo a fazer, eu não cumprirei a minha meta de defender o meu doutorado até meados do ano que vem.

Essa semana tive a certeza que acordar mais cedo é preciso, para não precisar sacrificar o meu tempo com a família e com os amigos. Ser estudante de doutorado, esposa, amiga e dona de casa requer horas a mais do meu dia. E eu percebi que eu estava perdendo 2 horas dos meus dias de semana só pra curtir aquela preguicinha na cama pela manhã.

Hoje consegui cumprir minha meta com 12 minutos de atraso. Amanhã espero ser melhor. O maridão deu a maior força e até fez o café da manhã! Ontem dormimos pedindo a Deus que nos despertasse para o dia! Que nos enchesse de energia e disposição para trabalhar e aproveitarmos melhor nossas preciosas horas! E Ele nos respondeu!

Gostei da experiência de sentir a brisa matinal enquanto vinha de bicicleta até aqui. Gostei da luz da manhã mais suave. Do ar mais fresco. Da sensação de dever cumprido.

Agora é focar no objetivo disso tudo, me dedicar mais na reta final do doutorado, com equilibrio e com tempo para tudo. Que Deus continue me acordando pra vida, e mais cedo!

Um bom dia pra vc, que acorda mais cedo ou mais tarde!

Um ensaio sobre a derrota

Hoje foi um dia muito triste para a maioria dos brasileiros e para quem admira o futebol do Brasil. Quem mora ou já morou fora do país sabe o peso que o futebol tem para a cultura brasileira. Quase sempre quando falo que sou brasileira para os meus amigos internacionais aqui no Canadá, todo mundo comenta “soccer, Pelé, Ronaldinho”, “you guys know how to play soccer (vocês sabem como jogar futebol)”, “you are champions (vcs são campeões)”, e por aí vai. bandeira_do_Brasil

Hoje o nosso futebol foi desarmado pela talentosa, preparada e organizada Alemanha, com um pano de fundo sem Neymar e o nosso capitão Thiago Silva. Eu não entendo muito da técnica do futebol e por isso não farei comentários técnicos. Estou aqui para comentar sobre esse sentimento de humilhação coletiva. De tristeza coletiva. De desilusão coletiva. E de como isso pode afetar a vida coletiva dos brasileiros, dentro e fora dos estádios.

Como? Eu ainda não sei. Só sei que estamos de luto e arrasados por essa derrota humilhante. E esses momentos de profundo descontentamento costumam gerar mudanças radicais.

Imagino que no futuro quando eu disser aos gringos que sou brasileira, sei que ouvirei “what happened with the Brazilian team in the World Cup of 2014? (o que aconteceu com o time do Brasil na copa de 2014?)”, “you guys were so good on soccer” (vcs eram tão bons no futebol). Espero poder responder:

“menino, pois você não vai acreditar… depois daquela Copa muita coisa mudou. Realmente, o nosso futebol está passando por uma fase de reestruturação. Não somos tão bons assim no futebol quanto pensávamos. Mas, depois daquele evento traumático, de alguma forma, estamos melhores em muitas outras áreas. O povo se tornou muito mais consciente do seu dever de cidadão. E por causa disso o governo brasileiro também tem mudado. Ainda tem muita gente corrupta, é verdade, mas hoje votamos com mais consciência e não esperamos tanto das autoridades para empreendermos pequenas e importantes mudanças pelo país afora. Eu não sei explicar, mas parece que aquela desilusão com o futebol fez o povo refletir e acordar pra vida. Estranho não? Acho que acabamos refletindo em outras áreas em que temos sido derrotados a séculos e decidimos de uma vez por todas tomar uma atitude diferente do nosso jeitinho brasileiro. Olha, nunca pensei que uma derrota humilhante no futebol fosse gerar tanta vitória na vida de tantos brasileiros.”

O doutorado que me transforma

Eu me lembro bem do dia em que comecei a pensar em fazer um doutorado. Eu anotei no meu diário. Anotei as razões pelas quais eu queria um doutorado. Pensei no projeto e rascunhei um projeto. O que não pensei era que sonho e desejo sem planejamento e muita persistência não ia me levar muito longe.

Eu sempre tive uma mente muito criativa. Já até pensei em ser artista por causa da minha mente espontaneamente criativa. Mas, definitivamente, criatividade não é o bastante para se completar um doutorado. Eu também sempre fui muito empolgada e feliz com minhas realizações. Mas, também te digo que empolgar com seu projeto não garante que ele será bem executado e a tempo.

Portanto, para eu terminar o meu doutorado, estou tendo que passar por mudanças radicais. Primeiramente, planejamento é essencial. E mesmo não sendo uma pessoa bem planejada, tenho que me esforçar em ser, caso queira completar essa grande tarefa. Não dá pra deixar que as circunstâncias de cada dia lidere minha agenda. E não dá pra planejar à medida que houver necessidade. Isso não é planejamento. Tenho aprendido que planejar é antecipar uma estratégia de execução dentro de um cronograma viável para que quando vier a hora de executar o projeto, você tenha os recursos necessários para fazê-lo. Ainda estou engatinhando nessa área, por sinal.

Também tive que aprender o que é a verdadeira persistência. Eu sempre achei que era uma pessoa persistente. Mas, agora estou tendo que exercitá-la ao nível máximo. Não digo “dar murro em ponta de faca”. Digo persistir em aprender, em fazer de novo e de novo quando algo dá errado, até dar certo. Quero dizer que estou aprendendo a persistir no alvo correto. Aprendendo a persistir mesmo quando a vontade é a de desistir.

Outra característica que tive que desenvolver é o foco. Está pra existir uma pessoa mais hiperativa e dispersa do que eu. Eu consigo fazer mil coisas ao mesmo tempo e ainda prestar atenção em tudo que está ao meu redor. Focar para mim é muito difícil. Mas, Deus tem me ajudado. E o marido também. Não dá pra viver aqui e ali, começando uma coisa e outra atrás da outra, sem terminar nada. É importante almejar a conclusão de uma tarefa, estabelecer prazos e desenvolver o foco correto para completá-la.

Além de foco, eu também precisei ir mais a fundo no conhecimento. Doutorado na verdade é isso. Você se aprofunda numa área restrita de conhecimento e testa teorias a respeito. Não dá pra levar um doutorado como se estivesse num “playground”. Eu cheguei aqui assim. Querendo estudar tudo e medir tudo. Comprovar de tudo um pouco. Não deu tempo e nunca daria. O meu comitê de avaliação teve um papel fundamental de me guiar para um conhecimento mais focado e profundo do meu projeto de doutorado.

Ah, e não menos importante. Estou aprendendo a mansidão e o controle emocional. Gente, quem me conhece sabe que eu sou emoção pura. Mas, não dá pra desenvolver um doutorado com emoções à flor da pele. Se eu for sentir e levar para o coração as críticas e os diferentes pontos de vista sobre o meu trabalho, eu estou perdida. É preciso parar e filtrar o que realmente precisa ser levado para o coração. Senão, você se desgasta muito.

Bom, são muitos os aprendizados. Vejo que Deus tem me ajudado a aprimorar muita coisa através deste doutorado. Mas, mesmo com todas essas mudanças, eu sei que nunca me tornarei uma outra pessoa. Eu tenho uma identidade e uma personalidade que são só minha. Deus me fez assim e me amou assim desde a fundação do mundo. Mas, Ele tem prazer em me transformar e em me aperfeiçoar para Sua glória. Por isso, enquanto eu viver, Ele estará trabalhando em mim.

Porque a beleza da vida é isso, você vive e aprende algo novo todos os dias!

É por isso que vou seguindo assim… doutorando e aprendendo! Porque ninguém já nasce sabendo! 🙂

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Deixando para trás as coisas que para trás ficam

Essa é a época do ano em que muitas pessoas fazem promessas e resoluções, almejando um ano melhor. Eu vejo que é também uma oportunidade de deixar para trás o que se passou. Especialmente as mágoas e os ressentimentos.

Eu sou uma pessoa que facilmente ficava ressentida. E eu só descobri o quanto ressentimento faz mal depois que passei pelo câncer. Eu tenho aprendido que não guardar mágoa e exercer o diálogo e o perdão nos traz muita saúde!

Eu conheço muitas mulheres que têm uma personalidade parecida com a minha. Se alguém que você ama ou considera te decepciona ou não atende às suas expectativas você fica triste e se magoa, e o coração ferido fica horas se perguntando “por que ela/ele agiu dessa forma?” Eu já convivi com gente, e ainda convivo, que é bem diferente de mim. Em questão de valores, de jeito de ser, de temperamento… E por serem pessoas diferentes, eu já tive dificuldades em lidar (e acredito que elas também em lidar comigo).

Nos momentos de desavença a gente sempre acha que a outra pessoa poderia ter agido diferente. E pouco paramos para olharmos para dentro de nós e pensarmos numa maneira diferente de reagirmos às ofensas das outras pessoas.

Acredito que uma das formas de se livrar da mágoa é falar francamente com a pessoa que te magoou. No final do ano passado vivi essa experiência. Uma pessoa do meu trabalho me magoou severamente. De forma que pudéssemos caminhar bem no próximo ano, falei francamente com essa pessoa de como as palavras dela tinham sido duras e desnecessárias. Propus uma forma melhor da gente dialogar e se entender. Eu a perdoei. Esquecemos o que se passou, e seguimos em frente com um relacionamento bem melhor.

Então sugiro uma segunda forma de lidar com a mágoa, o perdão e o esquecimento. Se você tiver oportunidade de conversar com a pessoa que te magoou, bem. Se não, perdoe assim mesmo. E tente esquecer o que essa pessoa te fez. Jesus nos ensina a perdoar de coração ao nosso irmão e quantas vezes for preciso. Isso não é uma tarefa fácil. Mas, à medida que exercitamos o perdão, a nossa alma fica leve, o nosso corpo mais saudável, e então percebemos que é bem melhor perdoar do que se magoar.

Que em 2014 sigamos com uma vida mais leve e sem mágoas, e com um coração cheio do Amor de Deus e do seu perdão por nós!

Feliz Ano Novo a todos!

Foto: Letícia Peyneau

Foto: Letícia Peyneau

Protesto de uma fisioterapeuta!

Depois de quase duas semanas ouvindo notícias de protestos, não consigo mais me calar! E deixarei aqui minha reflexão. Primeiramente, estou muito feliz com as manifestações pacíficas. Acho muito válido. Eu mesma já participei de uma contra a exploração dos profissionais de fisioterapia e contra o ato médico, que é antagônico à multidisciplinaridade na promoção da saúde. Ou seja, o médico tomaria o controle de todo o tipo de diagnóstico, prevenção e promoção da saúde, voltando ao modelo arcaico de 2 mil anos atrás onde só o médico tinha competência para cuidar da saúde das pessoas. Isso seria o fim da autonomia profissional dos fisioterapeutas e outros profissionais da saúde que estudam 4-5 anos, sem contar as especializações, para diagnosticar, tratar e previnir doenças. Isso claro dentro de suas competências profissionais.

Bom, só sei que sofrer injustiça é muito ruim. E diante desta não devemos nos calar! Mas, a questão não é só falar. Falar, gritar, levantar cartaz é o desabafo, a terapia de quem sofre injustiça. A questão é que para promover a justiça leva tempo e muito esforço para se engajar nas políticas de onde vc quer mudança.

No meu caso, lembro-me que até participei de algumas reuniões para montar o sindicato dos fisioterapeutas no Espírito Santo e também para saber melhor de quem representava minha classe e quais seriam meus direitos. Também participei do fomento da criação de um conselho regional de fisioterapia no Espírito Santo, pois o conselho que nos representava estava no Rio de Janeiro, muito longe da realidade e necessidades nossas que morávamos ali no Estado vizinho.

E como professora e educadora, aproveitava as aulas e conversas com alunos para incentivá-los a buscar melhores soluções para a classe. Era muito difícil o processo. O caminho indicava muito trabalho e persistência. Com o salário miserável e com a família para sustentar, sei que alguns de meus alunos desistiram da labuta. Eu tinha certo em mim que as grandes mudanças não aconteceriam de uma noite para o dia.

Hoje, a escolha de me aperfeiçoar na área de pesquisa me guiou para o doutorado no Canadá. É o meu tempo. Atualmente, não estou engajada politicamente na minha luta de classe. Mas, com o uso da mídia posso protestar de onde eu quiser. E aproveitando o calor da multidão o faço aqui no meu blog.

DIGA NÃO AO ATO MÉDICO! E lute pela nossa autonomia profissional!!!

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Eu sei que aquela pequena participação minha ali no sindicato foi só um começo. Ainda pretendo me engajar mais na construção de minha profissão. A você que está aí no Brasil, vá as ruas, grite, manifeste sua indignação. E ao voltar para casa, procure uma forma de se engajar politicamente para transformar o que é necessário. Mas, siga com muita determinação e coragem. Pois a luta contra a corrupção é grande e demorada!!!

Para terminar, eu sempre me inspiro em Jesus para seguir em frente. Não vejo saída para a corrupção e a queda da humanidade a não ser em Cristo. Tem hora que a gente não aguenta, e só a força do Espírito Santo em nós, que emana justiça, para fazer com que lutemos com perseverança!!!

Vamos à luta!!!

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