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Deixando para trás as coisas que para trás ficam

Essa é a época do ano em que muitas pessoas fazem promessas e resoluções, almejando um ano melhor. Eu vejo que é também uma oportunidade de deixar para trás o que se passou. Especialmente as mágoas e os ressentimentos.

Eu sou uma pessoa que facilmente ficava ressentida. E eu só descobri o quanto ressentimento faz mal depois que passei pelo câncer. Eu tenho aprendido que não guardar mágoa e exercer o diálogo e o perdão nos traz muita saúde!

Eu conheço muitas mulheres que têm uma personalidade parecida com a minha. Se alguém que você ama ou considera te decepciona ou não atende às suas expectativas você fica triste e se magoa, e o coração ferido fica horas se perguntando “por que ela/ele agiu dessa forma?” Eu já convivi com gente, e ainda convivo, que é bem diferente de mim. Em questão de valores, de jeito de ser, de temperamento… E por serem pessoas diferentes, eu já tive dificuldades em lidar (e acredito que elas também em lidar comigo).

Nos momentos de desavença a gente sempre acha que a outra pessoa poderia ter agido diferente. E pouco paramos para olharmos para dentro de nós e pensarmos numa maneira diferente de reagirmos às ofensas das outras pessoas.

Acredito que uma das formas de se livrar da mágoa é falar francamente com a pessoa que te magoou. No final do ano passado vivi essa experiência. Uma pessoa do meu trabalho me magoou severamente. De forma que pudéssemos caminhar bem no próximo ano, falei francamente com essa pessoa de como as palavras dela tinham sido duras e desnecessárias. Propus uma forma melhor da gente dialogar e se entender. Eu a perdoei. Esquecemos o que se passou, e seguimos em frente com um relacionamento bem melhor.

Então sugiro uma segunda forma de lidar com a mágoa, o perdão e o esquecimento. Se você tiver oportunidade de conversar com a pessoa que te magoou, bem. Se não, perdoe assim mesmo. E tente esquecer o que essa pessoa te fez. Jesus nos ensina a perdoar de coração ao nosso irmão e quantas vezes for preciso. Isso não é uma tarefa fácil. Mas, à medida que exercitamos o perdão, a nossa alma fica leve, o nosso corpo mais saudável, e então percebemos que é bem melhor perdoar do que se magoar.

Que em 2014 sigamos com uma vida mais leve e sem mágoas, e com um coração cheio do Amor de Deus e do seu perdão por nós!

Feliz Ano Novo a todos!

Foto: Letícia Peyneau

Foto: Letícia Peyneau

Protesto de uma fisioterapeuta!

Depois de quase duas semanas ouvindo notícias de protestos, não consigo mais me calar! E deixarei aqui minha reflexão. Primeiramente, estou muito feliz com as manifestações pacíficas. Acho muito válido. Eu mesma já participei de uma contra a exploração dos profissionais de fisioterapia e contra o ato médico, que é antagônico à multidisciplinaridade na promoção da saúde. Ou seja, o médico tomaria o controle de todo o tipo de diagnóstico, prevenção e promoção da saúde, voltando ao modelo arcaico de 2 mil anos atrás onde só o médico tinha competência para cuidar da saúde das pessoas. Isso seria o fim da autonomia profissional dos fisioterapeutas e outros profissionais da saúde que estudam 4-5 anos, sem contar as especializações, para diagnosticar, tratar e previnir doenças. Isso claro dentro de suas competências profissionais.

Bom, só sei que sofrer injustiça é muito ruim. E diante desta não devemos nos calar! Mas, a questão não é só falar. Falar, gritar, levantar cartaz é o desabafo, a terapia de quem sofre injustiça. A questão é que para promover a justiça leva tempo e muito esforço para se engajar nas políticas de onde vc quer mudança.

No meu caso, lembro-me que até participei de algumas reuniões para montar o sindicato dos fisioterapeutas no Espírito Santo e também para saber melhor de quem representava minha classe e quais seriam meus direitos. Também participei do fomento da criação de um conselho regional de fisioterapia no Espírito Santo, pois o conselho que nos representava estava no Rio de Janeiro, muito longe da realidade e necessidades nossas que morávamos ali no Estado vizinho.

E como professora e educadora, aproveitava as aulas e conversas com alunos para incentivá-los a buscar melhores soluções para a classe. Era muito difícil o processo. O caminho indicava muito trabalho e persistência. Com o salário miserável e com a família para sustentar, sei que alguns de meus alunos desistiram da labuta. Eu tinha certo em mim que as grandes mudanças não aconteceriam de uma noite para o dia.

Hoje, a escolha de me aperfeiçoar na área de pesquisa me guiou para o doutorado no Canadá. É o meu tempo. Atualmente, não estou engajada politicamente na minha luta de classe. Mas, com o uso da mídia posso protestar de onde eu quiser. E aproveitando o calor da multidão o faço aqui no meu blog.

DIGA NÃO AO ATO MÉDICO! E lute pela nossa autonomia profissional!!!

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Eu sei que aquela pequena participação minha ali no sindicato foi só um começo. Ainda pretendo me engajar mais na construção de minha profissão. A você que está aí no Brasil, vá as ruas, grite, manifeste sua indignação. E ao voltar para casa, procure uma forma de se engajar politicamente para transformar o que é necessário. Mas, siga com muita determinação e coragem. Pois a luta contra a corrupção é grande e demorada!!!

Para terminar, eu sempre me inspiro em Jesus para seguir em frente. Não vejo saída para a corrupção e a queda da humanidade a não ser em Cristo. Tem hora que a gente não aguenta, e só a força do Espírito Santo em nós, que emana justiça, para fazer com que lutemos com perseverança!!!

Vamos à luta!!!

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