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Minhas duas licenças do doutorado

Já se passaram 5 meses desde meu úlitmo post neste blog. Cinco meses tentando incessantemente concluir minha tese de doutorado. Era um sonho, um alvo a ser atingido antes que meu bebê nascesse. Até semana passada, estava certa (ou iludida?) de que conseguiria. Disse aos supervisores e amigos que iria escrever a tese até minha bolsa se romper.

Acho que a motivação te leva a caminhar boa parte da estrada, mas não é tudo. Eu estava super motivada e determinada. Escrevi até onde pude. E queria continuar escrevendo. Mas, outras prioridades vieram ao meu encontro e tive que passá-las na frente da tese. Essa semana, completando 37 semanas de gestação, comecei a sentir as primeiras contrações que antecedem o trabalho de parto. Corpo e mente já estão entrando em sintonia para dar à luz ao meu bebê. Vi que não dava mais para escrever linhas novas em minha tese de doutorado. Meus pais até chegaram para me ajudar. E ao invés de me trancar no escritório para escrever, eu queria muito aproveitar a companhia deles, lavar as roupinhas do bebê junto com minha mãe, parar e deixá-los sentir o bebê mexer, registrar o momento em fotos, e tudo o mais que esse período tão especial e único em nossas vidas possa nos oferecer. Então concluir que a tese podia esperar. Foi assim que ontem assinei a minha segunda licença do doutorado.

A primeira, vocês já podem supor. Foi quando tive que parar meus estudos para tratar um câncer de ovário. A primeira licença me trouxe o medo da morte. A segunda me traz a esperança de vida. Na primeira, eu fui forçada a fazê-lo. Na segunda, eu escolhi priorizar a vida e a família. A primeira foi por razões de enfermidade. A segunda por razões da maternidade. Que contraste!

Confesso que por estar bem determinada a cumrpir com a escrita da tese, essa semana, ao tomar a decisão da licença, eu me senti um pouco frustrada. Poxa, não foi dessa vez ainda. Agora as pessoas vão me perguntar, “e o doutorado?”, e eu direi “ainda não concluí, dei uma pausa para dar à luz ao meu bebê”. E garanto que muitos irão pensar ou até dizer, “mas, seria tão bom se você tivesse concluído. Agora você poderia ficar por conta do seu bebê”. Realmente, isso seria o ideal. Mas, esse ideal não se tornou possível na minha vida. A tese vai ficar para depois. Ficaram para trás aproximadamente 30 páginas para completude da tese, o que não é trivial se você pensar em uma tese de doutorado. Vai ter que realmente ficar para depois. Depois de 4, 6 meses ou até 1 ano. Ainda não dá para saber.

Sei que a maternidade irá mudar a minha vida. E com ela outras prioridades virão, certamente. Mas, creio e peço a Deus, que eu tenha a oportunidade de voltar ao doutorado e concluir a minha tarefa. Cumprir cabalmente o meu projeto.

Sei também que Ele está no controle desta pausa. Assim como esteve no controle da primeira pausa. Tudo vem dEle e é para Ele. Tudo tem o seu tempo.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.”

II

 

 

 

 

 

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O Natal de 5 anos atrás… O Natal de hoje!

Há exatamente 5 Natais atrás eu chegava ao Brasil com uma notícia nada boa. Tinha acabado de descobrir que um tumor gigantesco crescia em meu ovário esquerdo. O diagnóstico não foi fechado no Canadá. Mas as imagens eram assustadoras. Revelava um tumor que crescia rápido e que já estava com mais de 11 cm levando ao acúmulo de líquido e inflamação em todo o meu abdômen. Eu parecia uma grávida de 4 meses.

Ao chegar ao Brasil, minha família assustada, claro, me recebe com o carinho de sempre e tudo o que eu pude fazer foi chorar no colo de minha mãe. A jornada para retirada e tratamento daquele tumor acabava de começar. E graças a Deus eu tive a minha família por perto.

O nosso Natal e Ano Novo foi de medo e pavor. Eu perguntava “O que será que Deus tem para mim?”, sem saber ao certo ainda aonde iria me tratar. Com a ajuda de algumas amigas médicas, destaco aqui o apoio de Jussara Mayrink e Ana Raquel Gouvea Santos, consegui vaga na Unicamp para fazer a cirurgia.

A consulta médica foi onde recebi o pior diagnóstico de minha vida. “Devido ao crescimento rápido de seu tumor, e dependendo da patologia do tumor, teremos que fazer uma cirurgia mais agressiva, talvez retirando o seu útero, seus 2 ovários e parte do seu intestino.” A médica perguntou, “você tem filhos? Tem vontade de ter? Podemos arranjar de você preservar seus óvulos, mas isso vai atrasar o seu tratamento”. Tive que pensar rápido e a única coisa que falei foi, “Como não sou casada e nem sei se um dia serei, por favor doutora, retire logo esse tumor de mim!”

Minha mãe e eu fomos para casa atordoadas, mudas, pensativas, aflitas e com o coração na mão. Quando chegamos na casa em que nos hospedávamos em Campinas, a única coisa que conseguimos fazer foi nos prostar de joelhos diante do nosso Todo Poderoso Deus e clamarmos por sua misericórdia. Ali choramos muito, e pedimos a Deus que me livrasse do pior. Queria viver. Queria pensar que tudo aquilo não passava de um pesadelo e que logo iria acabar.

Naquele mesmo dia à noite, clamamos novamente ao Senhor, pois apesar de todas essas notícias ruins eu e minha mãe confiávamos em Deus e queríamos dormir em paz. Então entregamos tudo em suas mãos crendo que Ele é poderoso para curar. Enquanto clamava ao Senhor senti um toque com um calor sobrenatural em minha barriga do lado esquerdo. Era tão conchegante aquele calor. Trazia tanta paz. Mas, ainda, não podia ter certeza do que estava acontecendo. Confiamos tudo ao Senhor e fomos dormir.

No dia seguinte, a minha barriga estava bem menos inchada. A dor tinha desaparecido. E minha mãe notou. E eu também. Mas, ainda podia sentir o tumor. A cirurgia estava marcada para dali há 3 dias.

Fomos confiantes para o centro cirúrgico. Confiantes em Deus. Sabiamos que minha vida não estava somente nas mãos dos médicos. Naquele dia senti uma paz que o mundo nem os médicos podiam me dar. Sabia que Deus estava ali comigo.

Ao acordar na sala de recuperação, sentia que um facão tinha cortado minha barriga de cima em baixo. Mas estava bem. Ao olhar para o lado, ali estava a amiga e doutora Jussara a anunciar, “sua situação estava bem melhor do que esperávamos, retiramos todo o ovário esquerdo com o tumor maligno e outros 3 pequenos tumores benignos que estavam no seu ovário direito. Não vimos aquele líquido e inflamação todos que estava nos exames de seu abdômen. Acredito que Deus fez um milagre. A boa notícia é que conseguimos preservar seu ovário direito. Agora vai casar e ter filhos!”. Disse a Dra. Jussara num tom de amizade e esperança. Eu pensei, “é Senhor, tudo está em Suas mãos”.

Com o resultado dos exames anátomo-patológicos, recebi a notícia que a quimioterapia ainda seria necessária. Mais para a prevenção do que para o tratamento. Porque graças ao bondoso Deus, as células cancerígenas nunca mais voltaram.

Encurtando a história para caber neste post, eu fiz a quimioterapia, meus cabelos caíram todos, e durante todo esse processo de dor e redescoberta, encontro o meu futuro e lindo esposo em meio a um grupo de amigos bem queridos em Sao Paulo. Parte da nossa história foi registrada aqui. O Carlos é um presente de Deus na minha vida!

Nos casamos em Agosto de 2012, 1 ano e 8 meses depois da cirurgia. Nossa cerimônia foi registrada aqui no blog também. Era só o começo de uma vida de amor e esperança. Era a história bondosa de Deus se revelando através de nossas vidas. E assim Deus foi derramando de sua bondade e misericórdia. Sabíamos que Ele tinha um plano para nós e que tudo que experimentássemos como família seria para a glória Dele.

O nosso Deus Bondoso e Todo Poderoso, cheio de graça e misericórdia, nos abençoou! Depois de um aborto espontâneo em Abril de 2014, eis que nós estamos grávidos de um lindo bebê que amanhã completa 16 semanas.

Neste Natal, 5 anos depois, estou realmente grávida de 4 meses. E ao contrário do Natal de 2010, hoje espero uma vida em meu ventre. A sombra da morte foi dissipada. E Deus, por sua bondade e misericórdia, me encheu de vida.

Foi impossível não se emocionar ao escrever esse relato no dia de hoje. Me sinto agraciada. Sei que não mereço. Sei que é a bondade e o amor do nosso Pai que nos presenteou com um filho. Sabemos que tudo é para a Sua glória! Sabemos em quem temos crido! É por Ele e para Ele que vivemos! Toda a glória seja dada ao Senhor Jesus! Feliz Natal a todos!

“Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito,
para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor,
possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.
Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós,
a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém!”
Efésios 3:16-21

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A morte e a vida têm o mesmo mistério

Esse ano foi um ano de perdas importantes na minha família e no meu círculo de amizades. No começo do ano, um tio querido foi se encontrar com o Senhor. Em Maio, uma das minhas melhores amigas também foi se encontrar com Cristo. E agora em Outubro o Senhor chama repentinamente meu primo de apenas 32 anos de idade.

Todas as perdas foram muito dolorosas. Mas, em todas as perdas, nós também experimentamos um consolo de Deus sem igual. A dor extravagante aos poucos foi dando lugar à paz e à esperança que só podem vir do Espírito Consolador de Deus. Sim, o Espírito de Deus é Consolador em sua natureza. Deus sofre conosco, como relatei aqui em um post anterior, e nos consola de maneira sem igual, como nenhum outro deus neste mundo.

Tanto na família da minha amiga quanto na família do meu primo, o Senhor manifestou o Seu consolo com a chegada de uma nova vida na família. Um mistério. Na família da minha amiga, o seu irmão e cunhada que tentavam engravidar há mais de 10 anos, “de repente” ficam grávidos no mês de sua partida.

Na família do meu primo, no dia de sua missa de sétimo dia, seu irmão mais velho anuncia que vai ser papai, pela primeira vez, e de surpresa, sem planejar. A missa que era de choro se torna de alegria e esperança por receber esse consolo de Deus sem igual. Gratos por uma nova vida chegando à família assim, “de surpresa”.

E essas não são as únicas histórias de vidas surgindo em meio ao luto. É muito comum Deus consolar corações enlutados dessa forma supreendente, misteriosa e cheia de vida.

Já dizia o pai de um amigo meu “a gente morre do mesmo jeito que a gente vive”. O dia da chegada e da partida ainda é um mistério grande da vida, que só pertence ao Seu Autor. Enquanto aqui estivermos, vivendo a vida que Deus nos dá, precisamos ter essa ciência que somos chamados a sermos administradores/mordomos de nossa vida. Dono mesmo é o Senhor! É Ele que tira e é Ele que dá. Em tudo, que Seu Nome seja sempre louvado!

O ano está terminando, e meu coração está cheio de paz, consolo e esperança. Uma esperança fundamentada em Cristo, no Autor e Consumador de minha fé e vida e de vidas que Ele nos dá.

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O choro de Jesus me consola

Semana passada eu perdi uma grande amiga minha. Grande em todos os sentidos. Uma moça alta, linda, cheia da presença de Deus. Tinha um espírito sereno e tranquilo. Estava sempre pronta a servir ao Senhor. Na verdade, nos conhecemos de verdade e aprofundamos nossa amizade enquanto servíamos a Jesus através da Aliança Bíblica Universitária. Tínhamos muito em comum… a cidade natal, o trabalho na ABU, o fato de sermos fisioterapeutas e o fato de ter o tão medonho diagnóstico de um câncer. Toda vez que ia para minha querida Governador Valadares nos encontrávamos para papear, passear e orar juntas. Era uma bênção! Tínhamos uma caminhada de compartilhar íntimo do coração enquanto juntas buscávamos cumprir a vontade do Senhor para nós.

Nesses dias tenho vivido dias de luto, de tristeza e de dor e ao ler todas as mensagens de consolo da Bíblia, dos amigos e da família, nenhuma palavra me confortou tanto quanto a passagem da morte de Lázaro que relata sobre o choro de Jesus no Evangelho de João, capítulo 11. Sim, Jesus chorou ao ver seu amigo morto e os corações desconsolados de Marta, Maria e seus amigos e familiares. E não foi qualquer chorinho não. A Bíblia relata que ele teve uma comoção e um choro profundo e de grande tristeza. Seu espírito se comoveu e Jesus então se move em direção ao túmulo para ressuscitar Lázaro.

O interessante nessa passagem é que Jesus chora mesmo sabendo que Lázaro seria ressuscitado dentre os mortos. Os versos 4 e 11 expressam claramente a presciência de Jesus sobre a ressurreição de Lázaro. Deus tinha um plano de glorificar a Jesus através da ressurreição de Lázaro, já morto há 4 dias. O mais interessante ainda é que mesmo sabendo que Lázaro ressuscitaria, Jesus não chega ao túmulo com ar de “Ah, não chorem gente! Peraí, eu tô aqui! Vou ressuscitá-lo!”. Pelo contrário, o espírito de Jesus se quebrantou diante da dor. Ele se doeu com os demais. Se comoveu profundamente ao ver o amigo morto e provavelmente putrificado pela morte. Ele se comoveu com a dor da separação. A dor da ausência. A dor da saudade. O Filho de Deus encarnado sofreu. Que consolo.

A choro de Jesus consolou profundamente o meu coração enquanto chorava a perda da Denise. É como se Jesus falasse comigo… “chora querida Andresa. Dói mesmo. Eu sei o que é isso. Eu também já perdi um amigo. É muito difícil e doloroso. Infelizmente, você terá que passar por isso até o dia em que você também será glorificada com o Pai.” A empatia de Jesus com a perda de um amigo amado me consolou profundamente. Meu coração se encheu de gratidão por ter um Deus que conhece o meu sofrimento. Que chora comigo. E que promete um dia terminar com toda a forma de choro e sofrimento.

Para Lázaro, Jesus tinha um propósito de ressuscitá-lo para glorificar Seu Nome ainda entre nós. Para nós, Ele também tem um propósito de ressuscitar todo aquele que crer Nele. Nos versos 25 e 26, ainda antes de chegar ao túmulo, ele deixa um recado muito importante para todos nós:

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”

Essa é uma promessa não só para Lázaro e sua família. É uma promessa para todos nós. Hoje o Jesus ressurreto nos garante a ressurreição e a vida! Não é lindo isso? É sublime! É a vitória final sobre a morte! É a promessa do reencontro! É a promessa da eterna consolação! Da eterna paz e alegria!

E é com o choro de Jesus e a sua promessa de vida eterna, que minhas lágrimas são enxugadas. Meu coração dolorido abre lugar para uma paz e um consolo que vêm do Deus que sofre e que ama incondicionalmente. Que se encarna para sofrer em nosso lugar e nos garante o perdão dos pecados e a vitória sobre a morte!

Obrigada Jesus por chorar comigo. Obrigada também por me garantir a vitória sobre a morte. Muito obrigada por encher meu coração de esperança por um dia em que a morte não mais nos atormentará.

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O tempo passa, e o que realmente muda?

Para muitos, e eu estou nesse grupo, o último dia do ano é de reflexão e resoluções. Acho importante, ao final de cada ciclo que se fecha, pensarmos, desejarmos e planejarmos o próximo ciclo. Eu sinceramente gosto de datas que são marcos de um novo começo.

Quando saí da cirurgia de remoção do câncer em Janeiro de 2011, tive essa mesma sensação de recomeço. Depois quando terminei o tratamento de quimioterapia e nenhum sinal de câncer havia no meu corpo, de novo me veio o sentimento de que Deus estava me dando uma nova chance para recomeçar.

Atualmente, quando o ano termina, também tenho esse mesmo sentimento de recomeço. Faço planos, anoto os sonhos, digo que mudarei isso e aquilo na minha vida. Mas, o que realmente muda? E o que realmente mudou até aqui?

Bom, as viradas de ciclos que Deus me proporcionou nos últimos 4 anos realmente trouxeram mudanças, algumas radicais, no meu estilo de vida. A primeira mudança foi com a alimentação. Hoje me alimento de forma saudável do que antes. Consolidei pequenas mudanças que fizeram e fazem toda a diferença no meu dia-a-dia. Pela manhã, pão integral com finas fatias de muzzarela, yogurte, cereal, frutas vermelhas e café sem açúcar. Já virou rotina. Claro, que eu e meu marido não somos radicais, e não precisamos ser. Quando bate aquela vontade de um pãozinho francês, a gente se esbalda! E também vale lembrar que durante as festas celebramos com o que nos põe à mesa!

Bom, daí 3 horas até o almoço não comemos nada, as vezes uma fruta. Na maioria das vezes, eu só tomo água. Mas, nada de biscoitos e chocolates. Almoçamos nossa comidinha caseira que levamos na marmita, quase sempre balanceada com feijão, arroz, salada (legumes) e um tipo de carne. Ah, por falar em carne, reduzi bastante o consumo de carne vermelha. Lembro-me de comer até dois grandes bifes por refeição por dia. Não precisamos. Definitivamente, nosso corpo não precisa de tanta carne vermelha, e quando comemos em excesso carne ou açúcar, ocorre inflamação em nossas células que pode levar a várias doenças crônicas. Também é raro nos alimentarmos tomando sucos adocicados. Quando tomamos é meio copo e só. Normalmente eu chupo uma laranja ou uma fruta cítrica logo após as refeições ou tomo água um pouco depois de comer.

Aqui no Canadá a gente janta cedo. Então, entre o horário do almoço até a janta, comemos uma banana ou maçã. As vezes rola um biscoitinho integral com café sem açúcar no meio da tarde, mas não é sempre. Ah, a sobremesa? Nos dias de semana normalmente não temos. Mas, um bombom ou um pedacinho de chocolate é bem-vindo. Gostamos tb de um sorvetinho, no final de semana, ou quando recebemos visitas. O importante é comer a sobremesa sempre depois de grandes refeições. Assim, o açúcar não inflama muito as células do seu organismo.

Hoje em nossa vida, o comer bem virou hábito. E não precisamos nos esforçar para manter esse hábito alimentar. Eu acho que é aí que mudamos de verdade. Quando um ato vira hábito. Vejo que esse hábito de comer saudável tem proporcionado a mim e ao meu marido uma excelente qualidade de vida aqui no Canadá. Quase nunca pegamos gripe. Meu cabelo nunca cresceu tão rápido em toda a minha vida. E não sinto a minha digestão tão pesada como antigamente. Então no quesito comer, a resolução para 2015 é manter a alimentação saudável no cardápio.

Agora, vamos ao exercício físico. Nessa área, ainda precisamos de fortes resoluções. O que fazemos hoje, e é o que nos tira da zona do sedentarismo, é irmos para o trabalho a pé. Caminhamos 25 minutos para ir e para voltar, seja debaixo de chuva, sol ou neve. Mas, claro que isso não é o suficiente. A nossa meta é pegar mais pesado, suar a camisa mesmo, pelo menos 3 vezes por semana. Vamos lá! Vamos tentar! Moramos no 11o andar do nosso prédio e estamos com um projeto escadas aí na cabeça para por em prática em 2015, enquanto lá fora estiver nevando!

E as emoções? Oh, as emoções! Essas refletem muito quem somos de verdade. Por isso é a parte mais difícil de mudar. Faz parte de nossa personalidade, de nosso modo de ser mesmo. Mas, precisamos identificar o que nos faz mal, e entregarmos a Jesus. Sim, a Jesus. Durante o tratamento do câncer, Deus me desnudou. Me mostrou todas as minhas fraquezas, incluindo as que levaram o câncer a se desenvolver em mim. Então pensei, “gente eu não posso continuar pensando assim, tenho que mudar essas emoções negativas e tal”. Mas, as emoções faziam parte de mim. Era o meu jeito de ser e de pensar. E sozinha, eu não conseguia pensar diferente. Foi quando eu me vi totalmente envolvida pela graça de Deus… quando percebi que Ele, o Criador do Universo e meu Pai, me amava mesmo assim, com todas as minhas imperfeições. O que eu precisava fazer era me entregar totalmente a Ele. A grande mudança estava em se entregar totalmente a esse Amor. Era a entrega completa do meu ser que Deus estava esperando receber. E é assim que hoje me sinto, totalmente nas mãos do Senhor. O meu espírito e mente ficam muito mais leves quando entrego tudo a Ele. E é nessa entrega que Ele nos aperfeiçoa para a Sua glória.

Somos imperfeitos, e carecemos da graça de Deus continuamente. E precisaremos dela enquanto aqui viver. Só estaremos livres de nossas imperfeições quando nos unirmos completamente a Ele em um mundo que ainda está por vir. Mas, enquanto aqui estivermos, quanto mais perto dEle caminharmos, melhor viveremos! E que assim então seja a minha e a sua caminhada pelo ano de 2015, bem pertinho do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Feliz Ano Novo! Feliz Vida Nova em Deus!

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Para cada estação, uma cor, um tempo…

Faz exatamente um ano que eu passei por uma grande cirurgia. Era dia 11 de Outubro de 2013 quando eu dei entrada no pronto socorro com uma dor indescritível. E que por sinal eu já conhecia. Em decorrência da minha cirurgia para retirada do câncer, eu desenvolvi aderências no meu abdômen que podem obstruir o meu intestino e causar dores que são consideradas piores que as dores do parto. Eu já tinha passado por 3 episódios desses, quando ainda estava no Brasil. É assustador tanto para quem sente a dor, quanto para quem está perto.

Escuro

Era época de Thanksgiving (o dia de ação de graças canadense). O vento frio começava a soprar, as folhas mudavam de cores, as abobrinhas enfeitavam as mesas dos almoços e jantares. Mas, eu e meu marido estávamos ali no hospital, passando por uma prova em nossa vida. Esperando de Deus o socorro bem presente.

Quando olho para trás, lembrando que via as árvores mudando de cores pela janela do quarto do hospital, lembrando dos amigos que vieram dar suporte, da família no Brasil em oração fervorosa pela minha recuperação, do marido amoroso e sempre presente, dormindo na aba da janela porque não havia cama extra no quarto, da paz que reinava em nossos corações apesar da dor e do sofrimento… Eu me lembro que por tudo isso e muito mais, o meu coração estava cheio de gratidão. Gratidão por ressurgir de uma cirurgia tão grande com vida e com disposição para viver. Com esperança. E com a certeza que Deus estava no controle.

Um ano depois aqui estou eu, saudável, olhando a mudança de cores pelas janelas do meu apartamento, aconchegada ao marido numa cama grande e confortável que cabem dois, e preparando um delicioso almoço de ações de graça para um grupo de amigos que ano passado vinha me visitar por causa da cirurgia. E que este ano vem para celebrar com gratidão à nossa mesa todas as bênçãos, que pela graça e misericórdia de Deus, recebemos em mais um ano de vida.

Um dia a dor passa. Nenhuma dor dura para sempre. A escuridão de repente dá lugar a um dia lindo e cheio de cores. Porque enquanto vivermos e nos movermos nEle, a esperança ressurgirá com força.

Para cada estação há um tempo e uma cor. Em tudo dai graças!

Outono

Aonde você descansa a sua alma?

Estou de férias essa semana. Eu e meu marido fomos acampar num sítio que oferece descanso, renovo e silêncio, bem como retiro espiritual. Clique aqui caso esteja interessado em mais informações. O lugar é lindo, tranquilo e realmente proporcionou um descanso merecido para eu e meu marido.

Mesmo descansando o corpo e a mente durante 4 dias numa cabana rústica e curtindo a vida simples, nadando em lago transparente e refrescante, eu voltei para Toronto com a alma ainda agitada. Agitada por preocupações, pela ânsia de descansar mais, de fazer isso e aquilo, e de cumprir com a meta de verdadeiramente descansar nas minhas férias.

Não entendia aquela inquietação toda. Corpo e mente estavam descansados. Mas, a alma ainda não. Os anseios que não se podem preencher com nenhum descanso do corpo ainda não tinham encontrado descanso. Foi quando me lembrei dos Salmos 116, especialmente do versículo 7. O Salmista muitas vezes clamava ao Senhor pelo descanso de sua alma. E no Senhor encontrava a paz, a verdadeira paz. O verdadeiro descanso.

“De fato, acalmei e tranqüilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança.” Salmos 131:2

Então pedi ao Senhor. Quero ser como o Salmista. Quero a paz que nenhum descanso pode dar. Orei, “Vem, ó minh’alma, descanse na presença do Senhor. Lembre que Ele tem te feito muito bem. Ele é o seu verdadeiro descanso.”

A presença de Deus é tão real, que não escureceu o dia antes de eu sentir a verdadeira paz de espírito. O Senhor me atendeu. Minha alma se aquietou. Então veio o outro dia. E percebi que correr aos pés de Jesus depositando todos os nossos anseios da alma deve ser um exercício diário, constante.

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.
Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
Mateus 11:28-30

Diariamente passamos por situações que podem tirar a nossa paz. E tornar a nossa alma fatigada. E por mais que a gente descanse o corpo e a mente, a alma só encontrará descanso naquele Quem a criou.

Aonde você tem descansado a sua alma?

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