Arquivo da categoria: Reflexão

Para cada estação, um tempo

Depois de uma semana de muitas lutas e vitórias, aqui estou eu bicicletando a caminho de casa quando vejo essas flores lindas pelo caminho. Sem exitar, retorno com minha bike, contemplo, tiro o celular da mochila e começo a fotografar.

A dona das flores, vendo a minha admiração pelas belezas de seu jardim, caminha em minha direção. Eu pergunto se poderia tirar uma foto, ela disse, ‘claro!’. Toda sorridente exclama, ‘fico contente de você ter gostado das minhas flores… eu venho aqui a cada 2 horas admirá-las’.

Eu disse, ‘suas flores já me fizeram parar ou pelo menos reduzir a velocidade muitas vezes por aqui’. Ela contente, sorri. Então juntas começamos a admirar as belezas de suas dálias e rosas. Cada uma com sua beleza particular. Cada uma com seu tom. Umas mais vibrantes, outras mais delicadas e singelas. Umas mais resistentes ao tempo, outras mais frágeis a qualquer vento. Mas, estavam todas ali, arrancando olhares (e fotos) de quem passava.

Ela então me chama toda empolgada para olhar a mais delicada e meiga de todas, um pouco mais perto da porta de sua casa. E o papo se desenrola sobre jardim e estações. ‘Sabe’, ela disse, ‘eu alugo um quarto para uma estudante brasileira aqui em casa e sempre converso com ela. E um dia desses estávamos refletindo sobre as diferentes estações em países nórdicos comparando com os países que só têm calor. E eu pensei em como ter inverno intenso e calor nos ensina sobre a vida.’ Ela continua, ‘o inverno é importante para nos ensinar como suportar o sofrimento, ter disciplina, lidar com os momentos difíceis’. Daí eu complementei, ‘e a primavera nos ensina sobre a esperança, o renovo, uma nova vida surgindo’. Eu disse a ela que a primeira vez que eu experimentei a primavera depois de um longo e tenebroso inverso, eu achei que era um milagre. Ela concorda. E diz que toda a primavera ela tem o mesmo sentimento. A vida é um milagre. E a dona das flores acha que a natureza nos ensina muito sobre a vida. E continuávamos a admirar as lindas flores e a conversar sobre as belezas do Criador. Ambas acreditamos num Criador, muito artista por sinal.

Continuei, ‘e olha que interessante isso, quem visse só esse botãozinho aqui fechadinho, nem pensaria que viraria essa flor maravilhosa, né?’. Pensei dentro de mim, ‘com o cuidado correto tudo pode florescer, é só ter paciência.’ E logo em seguida ela me conta sobre o cuidado que tem com as flores, de como ela cuida em congelar os tubérculos na temperatura correta para então replantar quando o calor chegar. E quando ele chega, ela as descongela, as raízes crescem, ela planta novamente, e logo a beleza de todas elas volta a encantar.

‘Foi um prazer te conhecer!’, eu disse. ‘Obrigada por compartilhar de suas flores conosco’. ‘Fico feliz que tenha gostado’, ela responde.

Então pego a minha bike, ainda dou mais aquela olhadinha para aquele lindo jardim e agradeço por ter um Jardineiro que cuida muito bem de mim.

Dahlias_blog

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Na saúde e na doença

Gente, eu me sinto totalmente agraciada por ter a presença de Jesus na minha vida. Ele é o noivo de sua igreja, e com ela, Ele faz um pacto de nunca a abandonar. Mesmo sabendo que Deus nunca me abandonaria, foi quando adoeci que pude perceber claramente que isso é a mais pura verdade.

Enquanto era saudável, Ele estava lá, morando em mim, desde o dia em que O aceitei. Sabia disso. Cria nisso. Mas, foi quando eu perdi minha saúde que experimentei a mais doce de Sua presença. A mais confortante. A mais fiel. A mais presente. Um presente.

O vale do sofrimento foi grande, mas a presença de Jesus superabundou e trouxe uma paz transbordante. Um amor imenso rodeou o meu ser quando recebi a notícia que tinha que fazer a quimioterapia. E eu estava “sozinha” em um consultório médico em São Paulo (especialmente nessa consulta). Quando senti o conforto de Deus e o Seu amor por mim tão presente, percebi que sozinha estava só fisicamente.

Por que estou lembrando de tudo isso? Me deu vontade de escrever este post para homens e mulheres que estão passando pelo vale da dor e do sofrimento. Eu estive lá. Experimentei a dor. Experimentei a perda dos cabelos, de um ovário… Mas, não da esperança. E algo que nunca se perdeu nesse tempo todo, foi o Amor de Deus por mim.

Deus ama em todo tempo.

O meu desejo pra você hoje é que O conheça. Que abra o seu coração para receber esse Amor de Deus. Que creia em Seu Filho, quem sabe muito bem o que é dor e sofrimento. Que pare de fazer só pelas suas forças. Que se renda à presença de Deus. Porque Ele é fiel. Na saúde e na doença. Na alegria ou na dor.

Flor_Dahlia_desabuzelli

Um ensaio sobre a derrota

Hoje foi um dia muito triste para a maioria dos brasileiros e para quem admira o futebol do Brasil. Quem mora ou já morou fora do país sabe o peso que o futebol tem para a cultura brasileira. Quase sempre quando falo que sou brasileira para os meus amigos internacionais aqui no Canadá, todo mundo comenta “soccer, Pelé, Ronaldinho”, “you guys know how to play soccer (vocês sabem como jogar futebol)”, “you are champions (vcs são campeões)”, e por aí vai. bandeira_do_Brasil

Hoje o nosso futebol foi desarmado pela talentosa, preparada e organizada Alemanha, com um pano de fundo sem Neymar e o nosso capitão Thiago Silva. Eu não entendo muito da técnica do futebol e por isso não farei comentários técnicos. Estou aqui para comentar sobre esse sentimento de humilhação coletiva. De tristeza coletiva. De desilusão coletiva. E de como isso pode afetar a vida coletiva dos brasileiros, dentro e fora dos estádios.

Como? Eu ainda não sei. Só sei que estamos de luto e arrasados por essa derrota humilhante. E esses momentos de profundo descontentamento costumam gerar mudanças radicais.

Imagino que no futuro quando eu disser aos gringos que sou brasileira, sei que ouvirei “what happened with the Brazilian team in the World Cup of 2014? (o que aconteceu com o time do Brasil na copa de 2014?)”, “you guys were so good on soccer” (vcs eram tão bons no futebol). Espero poder responder:

“menino, pois você não vai acreditar… depois daquela Copa muita coisa mudou. Realmente, o nosso futebol está passando por uma fase de reestruturação. Não somos tão bons assim no futebol quanto pensávamos. Mas, depois daquele evento traumático, de alguma forma, estamos melhores em muitas outras áreas. O povo se tornou muito mais consciente do seu dever de cidadão. E por causa disso o governo brasileiro também tem mudado. Ainda tem muita gente corrupta, é verdade, mas hoje votamos com mais consciência e não esperamos tanto das autoridades para empreendermos pequenas e importantes mudanças pelo país afora. Eu não sei explicar, mas parece que aquela desilusão com o futebol fez o povo refletir e acordar pra vida. Estranho não? Acho que acabamos refletindo em outras áreas em que temos sido derrotados a séculos e decidimos de uma vez por todas tomar uma atitude diferente do nosso jeitinho brasileiro. Olha, nunca pensei que uma derrota humilhante no futebol fosse gerar tanta vitória na vida de tantos brasileiros.”

A dádiva de comer bem!

Um dos presentes que eu ganhei de Deus depois do câncer foi a redescoberta da comida saudável. Porque eu falo que ganhei de Deus? Porque eu acredito que foi Ele quem criou os alimentos saborosos e nutritivos que existem na natureza. Ele pensou em cada molécula, em cada propósito de cada alimento, nas cores, nos aromas e nos sabores.

Hoje eu estou me sentindo abençoada por poder comer uma comida tão nutritiva, tão colorida e tão acessível pra mim aqui no Canadá. A tristeza é só de pensar que o alimento saudável que Deus fez pra todos, só é acessível para alguns. A má distribuição e administração de alimentos ao redor do mundo faz com que hoje comer saudável seja uma dádiva. Além disso, desde que a indústria entrou no mundo, os alimentos processados vêm ganhando as pratileiras dos supermercados e são poucos os lugares que se pode encontrar alimento fresco e barato. O alimento virou indústria. E o consumidor ficou doente. Uma pena.

Bom, hoje o dia aqui em Toronto está quente e ensolarado, o que me convidou a comer leve e saudável, aproveitando a sacada com uma vista linda que Deus nos deu. Não tinha planejado nada especial.. até abrir minha geladeira e ver o que tinha de leve e saudável pra comer. Me empolguei quando vi que da semana ainda tinha sobrado quinoa, mini-pepinos, brotos de feijão de de brócolis, tomates, limão, azeite, cheiro verde e alho. Pensei, vou misturar tudo isso numa saladinha bem gostosa.

Ontem meu maridão tinha feito um macarrão com camarões que tinha sobrado bastante e ainda estava super gostoso. Pronto, temos mais um pouco. Ah, e o aspargos! Nossa, amo aspargos! Dei uma cozinhadinha nele e grelhei no alho e óleo. Pra mim não precisa mais nada! Daí, o limão que espremi na salada eu coloquei na água para ajudar na digestão. Gente, que bênção! Que gostoso! Que leve!

Sabe o que é estar agradecida? Então hoje eu estou! Eu sinto a bondade de Deus com a humanidade por ter deixado tantos alimentos nutritivos pra gente comer! Que pena que a maldade entrou no mundo e contaminou e industrializou demais as coisas. Mas, vamos lá! Vamos fazer a nossa parte! Vamos escolher melhor o que comer! E viver bem, dentro do possível!

Tudo isso me fez lembrar do Salmo 104:

“Ele rega os montes desde as suas câmaras; a terra farta-se do fruto das suas obras.
Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão,
E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.”

Salmos 104:13-15

Deus é bom! Bon appetit!

almoco_saudavel

A plantinha que fala ao meu coração

Se você segue o meu blog ou meu Instagram, ou é minha amiga no Facebook, já deve ter notado que eu não me canso de tirar fotos de flores, especialmente de um hibisco que tenho em casa.

Esse hibisco é muito especial para mim, pois revela o quanto Deus cuida dos que são seus em épocas menos favoráveis para “florescer”. Na época em que eu fazia o tratamento do câncer, o hibisco pertencia a uma amiga. Pois foi um presente que eu dei a ela de aniversário 2 meses antes de eu deixar o Canadá por causa do câncer. Ele era pequeno, mas florescia muito. E continuou florescendo durante todo o inverno, mesmo com o pouco cuidado que a minha amiga dava ao hibisco durante o inverno. Quando a primavera chegou, ela colocou o hibisco em seu jardim e os esquilos comeram todos os seus botõezinhos. Então ela volta com o hibisco para dentro de casa e ele continuava a florescer.

Na época que eu estava fazendo o tratamento no Brasil, a minha amiga viajou e ficou fora por alguns dias. Na volta, encontrou o hibisco completamente seco e sem flores, caindo aos pedaços. Era exatamente a época em que iniciava a quimioterapia. Ela sempre me mandava fotos dele, me mostrando que o hibisco florescia em condições menos favoráveis possíveis, e me encorajava com as lindas flores do hibisco. Mas, naquele dia em que ela o encontrou totalmente seco, ela pensou que ele nunca iria florescer. Era a época em que perdia meus cabelos.

Então ela começou a aguar o hibisco desesperadamente e pensava “eu não vou atualizar a Andresa desse último acontecimento. É tão desencorajador!”. Um tempo depois… bem na última semana de quimioterapia, quando eu ainda estava bem fraca, ela me manda uma foto (foto 1 abaixo) com o hibisco mais vivo do que nunca e com dupla floragem e escreve “assim como a Andresa perdeu todos os seus cabelos, essa plantinha perdeu todas as suas folhas e flores, e agora com o seu novo florescer ela nos lembra que a Andresa está voltando mais saudável e mais bonita do que nunca” (tradução literal dela, mais saudável sim, mais bonita não sei). Só sei que abri aquele email assim que cheguei em casa, depois do tratamento. Eu nunca pensei que uma foto de hibisco fosse trazer tanta esperança ao meu coração. Senti o meu coração aquecido naquele momento. As palavras da minha amiga pareciam vir diretamente de Deus falando ao meu coração “eu te farei florescer”. E olhando para as minhas forças e condições naquele momento, não podia acreditar que floresceria novamente daquela forma. Mas, quando olhava para o hibisco, o meu coração se enchia de esperança.

Então eu volto ao Canadá, e o hibisco está lá firme e forte. No começo do Outono passado, numa visita à casa dessa minha amiga, ela me oferece o hibisco de volta. Eu disse assim “mas como? o hibisco é presente meu pra vc!”. E ela prontamente respondeu, eu estou com medo de que ele não floresça nesse inverno e não queria vê-lo seco novamente. Dentro da minha casa não tenho mais espaço pra ele. Ele cresceu muito. Leva pra sua casa e continua a cuidar dele por lá. O hibisco estava enorme e com uma única florzona enorme e amarela, como essas da foto. Mas, logo em seguida ela cai e daí não sabíamos se ele floresceria de novo no inverno canadense e sem luz direta do sol. Nosso apartamento não tem sol durante o inverno.

Enfim, desde que o trouxemos para nossa casa, o hibisco não pára de crescer e de florescer (foto 2). E coincidência ou não, ele floresce em dias em que as condições não são muito favoráveis. Como no dia da minha segunda cirurgia, por exemplo. Passamos 6 dias no hospital sem ver a cara do hibisco. E sem o hibisco ver água. Quando recebi alta, e quando voltamos para casa, lá estava ele nos recepcionando com uma linda flor. Novamente Deus fala, “eu que sustento a vida, independente das circunstâncias, não temas”. E o hibisco vem florescendo durante todo o inverno bem no canto da janela da nossa sala.

Hoje foi o dia em que tive consultas médicas. É um dia de reflexão para mim. Me sinto melancólica, emotiva, com medo, enfim, fico meio triste. Deus sabe. Meu marido também sabe. Daí quando chego em casa agora, advinha quem eu encontro? Ele mesmo. O hibisco. Com mais uma flor linda e vibrante num dia frio e nublado (foto 3). Num dia nublado dentro do meu coração. Quando olho para essa linda flor, penso na minha história. Penso no sustento de Deus em cada momento da minha vida. E penso que ele nos encoraja todos os dias a viver, e a viver com esperança e sob os Seus cuidados.

“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.”
João 15:5

Hibiscus_history

Você é aceito?

Acabei de escutar uma mensagem cristã sobre a graça de Deus expressa na mensagem muito conhecida por todos, a do filho pródigo.

Essa mensagem fala de um pai e seus dois filhos, onde o mais novo pede a sua parte da herança com o pai ainda vivo e decide sair e gastar o dinheiro de forma irresponsável bem longe da casa de seu pai. Depois que ele gastou tudo, a região em que ele morava foi atingida por uma fome severa e ele veio a passar necessidade. Chegou até desejar comer a mesma comida que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. Neste momento no fundo do poço e com o estômago doendo de fome, ele pensa em voltar para a casa do pai. Mas, não somente isso, ele se arrepende e reconhece que pecou contra Deus e contra o seu pai. Então decide voltar para casa e pensa em pedir ao pai para ser um de seus trabalhadores contratados. Estes estavam vivendo com comida de sobra e não tinham fome.

A seguir vem a cena que mais me comove… A Bíblia diz que enquanto o filho estava ainda longe no caminho de volta para casa, o pai o avistou e correu para ele, o abraçando e o beijando ainda antes dele chegar em casa. O filho até começou a falar para o pai que se arrependeu, mas o pai o interrompeu pedindo a seus servos que preparassem uma festa, na verdade uma festança com músicas, dança, e roupas novas que simbolizavam que o filho era aceito de volta e que fazia parte da família e não do rol de trabalhadores.

A alegria do pai em receber o filho perdido de volta era tão grande que ele nem quis ouvir o porque do filho ter ido embora. E com o coração cheio de alegria e amor transbordante o pai dá aquela festança para celebrar a volta de seu filho!

A mensagem se desenrola contando a atitude do filho mais velho. Se quiser continuar lendo, clique aqui. Neste post, vou focar no filho mais novo e na sua reação antes de voltar para casa. Eu já li e estudei essa mensagem muitas vezes, e cada vez eu aprendo algo novo. Hoje, ao ouvir a pregação dessa mensagem pelo pastor Manoel Thé, no site da Igreja Batista Nações Unidas, aprendo mais uma importante lição sobre a nossa humanidade perdida, a necessidade de fazer algo para pagar pelo nosso pecado.

O filho longe de casa e passando fome, vê a “besteira” que fez e logo pensa em voltar pra casa. Mas, como ele errou, ele pensa em voltar não como filho, mas como um trabalhador do pai, ou seja, com a provável intenção de pagar pelo que ele fez. Gente, pára tudo! Você já se pegou fazendo isso? Você que está lendo esse post agora, você já passou por uma situação semelhante? Já quis pagar pelos seus pecados? Ou já pensou que pode fazer algo para se redimir de seu erro perante Deus? Eu já. E lá sempre vem Deus correndo na minha direção me aliviando de toda essa carga de trabalho, me abraçando e dizendo, “Andresa, lembre-se filha, você é aceita, o meu filho Jesus já morreu por você na cruz e você não precisa mais trabalhar ou sofrer para se redimir de seus pecados”. Daí, eu perco as palavras, e abandono as minhas estratégias de fazer para agradar.

Eu sei que tem muitas pessoas, por seguirem religiões diferentes, que pensam que é preciso fazer algo para alcançar a Deus. Nesta passagem bíblica de Lucas 15 vemos que é Deus quem nos alcança, e ainda com todas as nossas fraquezas a caminho, e nos abraça antes de mesmo de justificarmos nossa atitude, e nos perdoa, e ainda faz festa no céu quando nos arrependemos. Isso é graça. É acolhimento e abraços e beijos do pai sem nós merecermos. Ele quer nos receber como filhos e não como trabalhadores. Que amor!

Seguir a Jesus deixa a minha vida mais leve nesse sentido. Todo o fardo que deveríamos carregar por nossas falhas, já foi pago lá na cruz. O que devo fazer? Só agradecer e me deleitar nesse Amor tão grande!

“Você vai muito mais longe pela gratidão do que pelo dever. Recomece.” Manoel Thé

Tela de Rembrandt - na capa do livro "A volta do Filho Pródigo", de Henri Nouwen

Tela de Rembrandt – na capa do livro “A volta do Filho Pródigo”, de Henri Nouwen

Deixando para trás as coisas que para trás ficam

Essa é a época do ano em que muitas pessoas fazem promessas e resoluções, almejando um ano melhor. Eu vejo que é também uma oportunidade de deixar para trás o que se passou. Especialmente as mágoas e os ressentimentos.

Eu sou uma pessoa que facilmente ficava ressentida. E eu só descobri o quanto ressentimento faz mal depois que passei pelo câncer. Eu tenho aprendido que não guardar mágoa e exercer o diálogo e o perdão nos traz muita saúde!

Eu conheço muitas mulheres que têm uma personalidade parecida com a minha. Se alguém que você ama ou considera te decepciona ou não atende às suas expectativas você fica triste e se magoa, e o coração ferido fica horas se perguntando “por que ela/ele agiu dessa forma?” Eu já convivi com gente, e ainda convivo, que é bem diferente de mim. Em questão de valores, de jeito de ser, de temperamento… E por serem pessoas diferentes, eu já tive dificuldades em lidar (e acredito que elas também em lidar comigo).

Nos momentos de desavença a gente sempre acha que a outra pessoa poderia ter agido diferente. E pouco paramos para olharmos para dentro de nós e pensarmos numa maneira diferente de reagirmos às ofensas das outras pessoas.

Acredito que uma das formas de se livrar da mágoa é falar francamente com a pessoa que te magoou. No final do ano passado vivi essa experiência. Uma pessoa do meu trabalho me magoou severamente. De forma que pudéssemos caminhar bem no próximo ano, falei francamente com essa pessoa de como as palavras dela tinham sido duras e desnecessárias. Propus uma forma melhor da gente dialogar e se entender. Eu a perdoei. Esquecemos o que se passou, e seguimos em frente com um relacionamento bem melhor.

Então sugiro uma segunda forma de lidar com a mágoa, o perdão e o esquecimento. Se você tiver oportunidade de conversar com a pessoa que te magoou, bem. Se não, perdoe assim mesmo. E tente esquecer o que essa pessoa te fez. Jesus nos ensina a perdoar de coração ao nosso irmão e quantas vezes for preciso. Isso não é uma tarefa fácil. Mas, à medida que exercitamos o perdão, a nossa alma fica leve, o nosso corpo mais saudável, e então percebemos que é bem melhor perdoar do que se magoar.

Que em 2014 sigamos com uma vida mais leve e sem mágoas, e com um coração cheio do Amor de Deus e do seu perdão por nós!

Feliz Ano Novo a todos!

Foto: Letícia Peyneau

Foto: Letícia Peyneau