Um ensaio sobre a derrota

Hoje foi um dia muito triste para a maioria dos brasileiros e para quem admira o futebol do Brasil. Quem mora ou já morou fora do país sabe o peso que o futebol tem para a cultura brasileira. Quase sempre quando falo que sou brasileira para os meus amigos internacionais aqui no Canadá, todo mundo comenta “soccer, Pelé, Ronaldinho”, “you guys know how to play soccer (vocês sabem como jogar futebol)”, “you are champions (vcs são campeões)”, e por aí vai. bandeira_do_Brasil

Hoje o nosso futebol foi desarmado pela talentosa, preparada e organizada Alemanha, com um pano de fundo sem Neymar e o nosso capitão Thiago Silva. Eu não entendo muito da técnica do futebol e por isso não farei comentários técnicos. Estou aqui para comentar sobre esse sentimento de humilhação coletiva. De tristeza coletiva. De desilusão coletiva. E de como isso pode afetar a vida coletiva dos brasileiros, dentro e fora dos estádios.

Como? Eu ainda não sei. Só sei que estamos de luto e arrasados por essa derrota humilhante. E esses momentos de profundo descontentamento costumam gerar mudanças radicais.

Imagino que no futuro quando eu disser aos gringos que sou brasileira, sei que ouvirei “what happened with the Brazilian team in the World Cup of 2014? (o que aconteceu com o time do Brasil na copa de 2014?)”, “you guys were so good on soccer” (vcs eram tão bons no futebol). Espero poder responder:

“menino, pois você não vai acreditar… depois daquela Copa muita coisa mudou. Realmente, o nosso futebol está passando por uma fase de reestruturação. Não somos tão bons assim no futebol quanto pensávamos. Mas, depois daquele evento traumático, de alguma forma, estamos melhores em muitas outras áreas. O povo se tornou muito mais consciente do seu dever de cidadão. E por causa disso o governo brasileiro também tem mudado. Ainda tem muita gente corrupta, é verdade, mas hoje votamos com mais consciência e não esperamos tanto das autoridades para empreendermos pequenas e importantes mudanças pelo país afora. Eu não sei explicar, mas parece que aquela desilusão com o futebol fez o povo refletir e acordar pra vida. Estranho não? Acho que acabamos refletindo em outras áreas em que temos sido derrotados a séculos e decidimos de uma vez por todas tomar uma atitude diferente do nosso jeitinho brasileiro. Olha, nunca pensei que uma derrota humilhante no futebol fosse gerar tanta vitória na vida de tantos brasileiros.”

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Aprendendo o que não aprendi ainda

Escrevo esse post na calmaria à beira do Oceano Pacifico em Vancouver, após uma noite e uma manhã de tempestades.

Estou aqui para uma conferência E hoje era dia de apresentar o meu pôster. Eu vim bem empolgada com este poster, e digo até um pouco orgulhosa depois que meu orientador me elogiou meu trabalho.

O poster me deu realmente muito trabalho para fazer. Fiz análises e mais analises. Ajustes e mais ajustes nas variáveis que estudo. Achei que estava tudo certo.

Mas ontem a noite resolvi dar mais uma investigada nos dados e lá estava um valor de p incorreto que mudaria toda a conclusão do poster. Desesperei. Conferi todas as análises novamente, e nao tinha como eu apresentar o poster numa conferencia internacional com aquele pequeno, mas importante erro.

A apresentacao era 9:30 da manhã. e ali estava eu a corrigir o poster em plena 2 hs da manhã. Lamentei por eu e meus co-autores nao terem visto isso antes. refleti sobre a minha fragilidade com planejamento e organização. Mas com um sentimento no coração que agora, nessa altura do campeonato não adiantaria chorar o leite derramado.

Então corrigi o poster e planejei imprimi-lo assim q o lugar da impressão abrisse.

Amanheço e ligo para vários lugares e nenhum deles tinha como imprimir de última hora. Não sabia o que fazer. A caminho da conferência decidi imprimir o pôster corrigido em papel A4 e entregar para os leitores.

Estava desolada. Impotente diante daquela situação. Já tinha clamado a Deus por um milagre. Mas naquele ponto não sabi mais o que pensar, quando de repente pego a saída “errada” do metrô e dou de cara com um lugar de impressão. um daqueles que bunca acharia numa busca online.

Entrei. 8:30 da manhã. Perguntei meio sem acreditar que daria tempo. E a moça toda simpática disse que eles imprimiriam sim e a tempo de eu chegar p minha apresentação. Fiquei como quem sonha. A moça simpática com confiancça no seu serviço tentava me acalmar. O senhorzinho da impressão fazendo tudo rápido e com zelo.

Poster pronto. Eles chamam o taxi para mim. Chego na conferencia faltando 12 minutos para a presentação. Grata, sem palavras e com a certeza de que agora havia interpretado corretamente os dados.

Durante 2 horas e meia não parei de falar, comunicando os meus achados aos interessados que vinham ao pôster. Aprendendo com os experts e feliz de ter um Deus que nunca me deixa só!

As lições foram aprendidas. Poderia nomeá-las aqui. Mas prefiro ficar agora com o sabor da graça de Deus e da calmaria depois de uma tempestade.

Vancouver_city

A dádiva de comer bem!

Um dos presentes que eu ganhei de Deus depois do câncer foi a redescoberta da comida saudável. Porque eu falo que ganhei de Deus? Porque eu acredito que foi Ele quem criou os alimentos saborosos e nutritivos que existem na natureza. Ele pensou em cada molécula, em cada propósito de cada alimento, nas cores, nos aromas e nos sabores.

Hoje eu estou me sentindo abençoada por poder comer uma comida tão nutritiva, tão colorida e tão acessível pra mim aqui no Canadá. A tristeza é só de pensar que o alimento saudável que Deus fez pra todos, só é acessível para alguns. A má distribuição e administração de alimentos ao redor do mundo faz com que hoje comer saudável seja uma dádiva. Além disso, desde que a indústria entrou no mundo, os alimentos processados vêm ganhando as pratileiras dos supermercados e são poucos os lugares que se pode encontrar alimento fresco e barato. O alimento virou indústria. E o consumidor ficou doente. Uma pena.

Bom, hoje o dia aqui em Toronto está quente e ensolarado, o que me convidou a comer leve e saudável, aproveitando a sacada com uma vista linda que Deus nos deu. Não tinha planejado nada especial.. até abrir minha geladeira e ver o que tinha de leve e saudável pra comer. Me empolguei quando vi que da semana ainda tinha sobrado quinoa, mini-pepinos, brotos de feijão de de brócolis, tomates, limão, azeite, cheiro verde e alho. Pensei, vou misturar tudo isso numa saladinha bem gostosa.

Ontem meu maridão tinha feito um macarrão com camarões que tinha sobrado bastante e ainda estava super gostoso. Pronto, temos mais um pouco. Ah, e o aspargos! Nossa, amo aspargos! Dei uma cozinhadinha nele e grelhei no alho e óleo. Pra mim não precisa mais nada! Daí, o limão que espremi na salada eu coloquei na água para ajudar na digestão. Gente, que bênção! Que gostoso! Que leve!

Sabe o que é estar agradecida? Então hoje eu estou! Eu sinto a bondade de Deus com a humanidade por ter deixado tantos alimentos nutritivos pra gente comer! Que pena que a maldade entrou no mundo e contaminou e industrializou demais as coisas. Mas, vamos lá! Vamos fazer a nossa parte! Vamos escolher melhor o que comer! E viver bem, dentro do possível!

Tudo isso me fez lembrar do Salmo 104:

“Ele rega os montes desde as suas câmaras; a terra farta-se do fruto das suas obras.
Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão,
E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.”

Salmos 104:13-15

Deus é bom! Bon appetit!

almoco_saudavel

O doutorado que me transforma

Eu me lembro bem do dia em que comecei a pensar em fazer um doutorado. Eu anotei no meu diário. Anotei as razões pelas quais eu queria um doutorado. Pensei no projeto e rascunhei um projeto. O que não pensei era que sonho e desejo sem planejamento e muita persistência não ia me levar muito longe.

Eu sempre tive uma mente muito criativa. Já até pensei em ser artista por causa da minha mente espontaneamente criativa. Mas, definitivamente, criatividade não é o bastante para se completar um doutorado. Eu também sempre fui muito empolgada e feliz com minhas realizações. Mas, também te digo que empolgar com seu projeto não garante que ele será bem executado e a tempo.

Portanto, para eu terminar o meu doutorado, estou tendo que passar por mudanças radicais. Primeiramente, planejamento é essencial. E mesmo não sendo uma pessoa bem planejada, tenho que me esforçar em ser, caso queira completar essa grande tarefa. Não dá pra deixar que as circunstâncias de cada dia lidere minha agenda. E não dá pra planejar à medida que houver necessidade. Isso não é planejamento. Tenho aprendido que planejar é antecipar uma estratégia de execução dentro de um cronograma viável para que quando vier a hora de executar o projeto, você tenha os recursos necessários para fazê-lo. Ainda estou engatinhando nessa área, por sinal.

Também tive que aprender o que é a verdadeira persistência. Eu sempre achei que era uma pessoa persistente. Mas, agora estou tendo que exercitá-la ao nível máximo. Não digo “dar murro em ponta de faca”. Digo persistir em aprender, em fazer de novo e de novo quando algo dá errado, até dar certo. Quero dizer que estou aprendendo a persistir no alvo correto. Aprendendo a persistir mesmo quando a vontade é a de desistir.

Outra característica que tive que desenvolver é o foco. Está pra existir uma pessoa mais hiperativa e dispersa do que eu. Eu consigo fazer mil coisas ao mesmo tempo e ainda prestar atenção em tudo que está ao meu redor. Focar para mim é muito difícil. Mas, Deus tem me ajudado. E o marido também. Não dá pra viver aqui e ali, começando uma coisa e outra atrás da outra, sem terminar nada. É importante almejar a conclusão de uma tarefa, estabelecer prazos e desenvolver o foco correto para completá-la.

Além de foco, eu também precisei ir mais a fundo no conhecimento. Doutorado na verdade é isso. Você se aprofunda numa área restrita de conhecimento e testa teorias a respeito. Não dá pra levar um doutorado como se estivesse num “playground”. Eu cheguei aqui assim. Querendo estudar tudo e medir tudo. Comprovar de tudo um pouco. Não deu tempo e nunca daria. O meu comitê de avaliação teve um papel fundamental de me guiar para um conhecimento mais focado e profundo do meu projeto de doutorado.

Ah, e não menos importante. Estou aprendendo a mansidão e o controle emocional. Gente, quem me conhece sabe que eu sou emoção pura. Mas, não dá pra desenvolver um doutorado com emoções à flor da pele. Se eu for sentir e levar para o coração as críticas e os diferentes pontos de vista sobre o meu trabalho, eu estou perdida. É preciso parar e filtrar o que realmente precisa ser levado para o coração. Senão, você se desgasta muito.

Bom, são muitos os aprendizados. Vejo que Deus tem me ajudado a aprimorar muita coisa através deste doutorado. Mas, mesmo com todas essas mudanças, eu sei que nunca me tornarei uma outra pessoa. Eu tenho uma identidade e uma personalidade que são só minha. Deus me fez assim e me amou assim desde a fundação do mundo. Mas, Ele tem prazer em me transformar e em me aperfeiçoar para Sua glória. Por isso, enquanto eu viver, Ele estará trabalhando em mim.

Porque a beleza da vida é isso, você vive e aprende algo novo todos os dias!

É por isso que vou seguindo assim… doutorando e aprendendo! Porque ninguém já nasce sabendo! 🙂

Estudando_pordosol

Hoje o meu coração floresceu de esperança

Hoje compartilhei com uma amiga de trabalho que não imagino a minha vida sem Deus. Eu sei que tem gente que consegue viver sem Deus. Que pensa estar no controle de sua existência e tal.

Eu não sou assim. E eu já não era assim. Mas, depois da experiência radical de se ter um câncer, cada dia dependo mais de Deus para viver. E cada dia me aprofundo mais no conhecimento desse Deus lindo e maravilhoso que demonstra sua bondade sobre a face da terra.

Hoje eu sinto que a cada 6 meses eu nasço de novo. A cada 6 meses tenho que passar pelos exames médicos, os mesmos que detectaram o meu câncer. E sempre que eu recebo a notícia “seus marcadores estão negativos”, eu sinto que eu tenho uma nova chance de viver! E o meu coração floresce de esperança!

Parlamentos

E de gratidão.

Obrigada meu Deus pela vida. Por esse presente que o Senhor nos dá todos os dias. Obrigada, Senhor, por me ensinar o Seu caminho. O caminho da verdade, do amor e da esperança! Um caminho cheio de vida e de alegria em Cristo!

A plantinha que fala ao meu coração

Se você segue o meu blog ou meu Instagram, ou é minha amiga no Facebook, já deve ter notado que eu não me canso de tirar fotos de flores, especialmente de um hibisco que tenho em casa.

Esse hibisco é muito especial para mim, pois revela o quanto Deus cuida dos que são seus em épocas menos favoráveis para “florescer”. Na época em que eu fazia o tratamento do câncer, o hibisco pertencia a uma amiga. Pois foi um presente que eu dei a ela de aniversário 2 meses antes de eu deixar o Canadá por causa do câncer. Ele era pequeno, mas florescia muito. E continuou florescendo durante todo o inverno, mesmo com o pouco cuidado que a minha amiga dava ao hibisco durante o inverno. Quando a primavera chegou, ela colocou o hibisco em seu jardim e os esquilos comeram todos os seus botõezinhos. Então ela volta com o hibisco para dentro de casa e ele continuava a florescer.

Na época que eu estava fazendo o tratamento no Brasil, a minha amiga viajou e ficou fora por alguns dias. Na volta, encontrou o hibisco completamente seco e sem flores, caindo aos pedaços. Era exatamente a época em que iniciava a quimioterapia. Ela sempre me mandava fotos dele, me mostrando que o hibisco florescia em condições menos favoráveis possíveis, e me encorajava com as lindas flores do hibisco. Mas, naquele dia em que ela o encontrou totalmente seco, ela pensou que ele nunca iria florescer. Era a época em que perdia meus cabelos.

Então ela começou a aguar o hibisco desesperadamente e pensava “eu não vou atualizar a Andresa desse último acontecimento. É tão desencorajador!”. Um tempo depois… bem na última semana de quimioterapia, quando eu ainda estava bem fraca, ela me manda uma foto (foto 1 abaixo) com o hibisco mais vivo do que nunca e com dupla floragem e escreve “assim como a Andresa perdeu todos os seus cabelos, essa plantinha perdeu todas as suas folhas e flores, e agora com o seu novo florescer ela nos lembra que a Andresa está voltando mais saudável e mais bonita do que nunca” (tradução literal dela, mais saudável sim, mais bonita não sei). Só sei que abri aquele email assim que cheguei em casa, depois do tratamento. Eu nunca pensei que uma foto de hibisco fosse trazer tanta esperança ao meu coração. Senti o meu coração aquecido naquele momento. As palavras da minha amiga pareciam vir diretamente de Deus falando ao meu coração “eu te farei florescer”. E olhando para as minhas forças e condições naquele momento, não podia acreditar que floresceria novamente daquela forma. Mas, quando olhava para o hibisco, o meu coração se enchia de esperança.

Então eu volto ao Canadá, e o hibisco está lá firme e forte. No começo do Outono passado, numa visita à casa dessa minha amiga, ela me oferece o hibisco de volta. Eu disse assim “mas como? o hibisco é presente meu pra vc!”. E ela prontamente respondeu, eu estou com medo de que ele não floresça nesse inverno e não queria vê-lo seco novamente. Dentro da minha casa não tenho mais espaço pra ele. Ele cresceu muito. Leva pra sua casa e continua a cuidar dele por lá. O hibisco estava enorme e com uma única florzona enorme e amarela, como essas da foto. Mas, logo em seguida ela cai e daí não sabíamos se ele floresceria de novo no inverno canadense e sem luz direta do sol. Nosso apartamento não tem sol durante o inverno.

Enfim, desde que o trouxemos para nossa casa, o hibisco não pára de crescer e de florescer (foto 2). E coincidência ou não, ele floresce em dias em que as condições não são muito favoráveis. Como no dia da minha segunda cirurgia, por exemplo. Passamos 6 dias no hospital sem ver a cara do hibisco. E sem o hibisco ver água. Quando recebi alta, e quando voltamos para casa, lá estava ele nos recepcionando com uma linda flor. Novamente Deus fala, “eu que sustento a vida, independente das circunstâncias, não temas”. E o hibisco vem florescendo durante todo o inverno bem no canto da janela da nossa sala.

Hoje foi o dia em que tive consultas médicas. É um dia de reflexão para mim. Me sinto melancólica, emotiva, com medo, enfim, fico meio triste. Deus sabe. Meu marido também sabe. Daí quando chego em casa agora, advinha quem eu encontro? Ele mesmo. O hibisco. Com mais uma flor linda e vibrante num dia frio e nublado (foto 3). Num dia nublado dentro do meu coração. Quando olho para essa linda flor, penso na minha história. Penso no sustento de Deus em cada momento da minha vida. E penso que ele nos encoraja todos os dias a viver, e a viver com esperança e sob os Seus cuidados.

“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.”
João 15:5

Hibiscus_history

Você é aceito?

Acabei de escutar uma mensagem cristã sobre a graça de Deus expressa na mensagem muito conhecida por todos, a do filho pródigo.

Essa mensagem fala de um pai e seus dois filhos, onde o mais novo pede a sua parte da herança com o pai ainda vivo e decide sair e gastar o dinheiro de forma irresponsável bem longe da casa de seu pai. Depois que ele gastou tudo, a região em que ele morava foi atingida por uma fome severa e ele veio a passar necessidade. Chegou até desejar comer a mesma comida que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. Neste momento no fundo do poço e com o estômago doendo de fome, ele pensa em voltar para a casa do pai. Mas, não somente isso, ele se arrepende e reconhece que pecou contra Deus e contra o seu pai. Então decide voltar para casa e pensa em pedir ao pai para ser um de seus trabalhadores contratados. Estes estavam vivendo com comida de sobra e não tinham fome.

A seguir vem a cena que mais me comove… A Bíblia diz que enquanto o filho estava ainda longe no caminho de volta para casa, o pai o avistou e correu para ele, o abraçando e o beijando ainda antes dele chegar em casa. O filho até começou a falar para o pai que se arrependeu, mas o pai o interrompeu pedindo a seus servos que preparassem uma festa, na verdade uma festança com músicas, dança, e roupas novas que simbolizavam que o filho era aceito de volta e que fazia parte da família e não do rol de trabalhadores.

A alegria do pai em receber o filho perdido de volta era tão grande que ele nem quis ouvir o porque do filho ter ido embora. E com o coração cheio de alegria e amor transbordante o pai dá aquela festança para celebrar a volta de seu filho!

A mensagem se desenrola contando a atitude do filho mais velho. Se quiser continuar lendo, clique aqui. Neste post, vou focar no filho mais novo e na sua reação antes de voltar para casa. Eu já li e estudei essa mensagem muitas vezes, e cada vez eu aprendo algo novo. Hoje, ao ouvir a pregação dessa mensagem pelo pastor Manoel Thé, no site da Igreja Batista Nações Unidas, aprendo mais uma importante lição sobre a nossa humanidade perdida, a necessidade de fazer algo para pagar pelo nosso pecado.

O filho longe de casa e passando fome, vê a “besteira” que fez e logo pensa em voltar pra casa. Mas, como ele errou, ele pensa em voltar não como filho, mas como um trabalhador do pai, ou seja, com a provável intenção de pagar pelo que ele fez. Gente, pára tudo! Você já se pegou fazendo isso? Você que está lendo esse post agora, você já passou por uma situação semelhante? Já quis pagar pelos seus pecados? Ou já pensou que pode fazer algo para se redimir de seu erro perante Deus? Eu já. E lá sempre vem Deus correndo na minha direção me aliviando de toda essa carga de trabalho, me abraçando e dizendo, “Andresa, lembre-se filha, você é aceita, o meu filho Jesus já morreu por você na cruz e você não precisa mais trabalhar ou sofrer para se redimir de seus pecados”. Daí, eu perco as palavras, e abandono as minhas estratégias de fazer para agradar.

Eu sei que tem muitas pessoas, por seguirem religiões diferentes, que pensam que é preciso fazer algo para alcançar a Deus. Nesta passagem bíblica de Lucas 15 vemos que é Deus quem nos alcança, e ainda com todas as nossas fraquezas a caminho, e nos abraça antes de mesmo de justificarmos nossa atitude, e nos perdoa, e ainda faz festa no céu quando nos arrependemos. Isso é graça. É acolhimento e abraços e beijos do pai sem nós merecermos. Ele quer nos receber como filhos e não como trabalhadores. Que amor!

Seguir a Jesus deixa a minha vida mais leve nesse sentido. Todo o fardo que deveríamos carregar por nossas falhas, já foi pago lá na cruz. O que devo fazer? Só agradecer e me deleitar nesse Amor tão grande!

“Você vai muito mais longe pela gratidão do que pelo dever. Recomece.” Manoel Thé

Tela de Rembrandt - na capa do livro "A volta do Filho Pródigo", de Henri Nouwen

Tela de Rembrandt – na capa do livro “A volta do Filho Pródigo”, de Henri Nouwen