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Todo o dia é dia de combate ao câncer

Ontem foi mais um dia de renascimento! Cheguei do médico com mais uma notícia que meus exames estão “absolutamente normais”. Essa foi a resposta do meu oncologista. Eu nunca vou ao oncologista dando como certo que meus exames estão normais, apesar de estar fazendo a minha parte. Eu tive um câncer muito agressivo e as chances dele voltar não são zero. Então quando recebo a notícia, “seus exames estão normais!” para mim é uma alegria imensa, uma gratidão profunda por viver e por toda a boa transformação que o câncer me causou e ainda me causa. Me sinto agraciada por Deus por Ele me dar a tão preciosa vida! Me sinto presenteada! Minha vontade é de dar uma festa!

Bom, e a minha responsabilidade em tudo isso? Eu tenho certeza que Deus me curou. Eu tenho comigo escritinho o diagnóstico médico de quando cheguei ao Brasil. Deus certamente mudou o meu prognóstico de cura ali antes mesmo da cirurgia. E quando então eu acordei da cirurgia com um prognóstico melhor do que o esperado, eu tive a certeza que queria viver uma vida melhor! Pedi a Deus que o que Ele tinha para mudar em mim que Ele mudasse. Que Ele me ensinasse a viver integralmente. E que me ensinasse também por qual razão eu tive um câncer de ovário.

A primeira coisa que descobri que me alimentava mal. No meu dia-a-dia eu comia o básico, arroz, feijão, salada (alface e tomate) e uma boa dose de bife vermelho + muito suco doce ou refri depois do almoço + chocolate no meio da tarde + açucar com café (não era café com ácúcar), vários cafezinhos açucarados durante o dia etc… pequenas doses de veneno para as minhas células cancerosas que um dia dormiam. Eu penso que uma dieta desbalanceada com um coração e mente balanceados não surte tanto efeito em gente nova. Para muitos, uma dieta ruim só fará diferença lá na quinta ou sexta década de vida. Mas para mim, que tinha essa fragilidade em minhas células, foi uma dieta venenosa em doses homeopáticas que acelerou o aparecimento do meu câncer aos 33 anos de idade.O livro Anticâncer do Dr. Servan-Schreiber foi um instrumento de Deus na minha vida para me alertar de como maus hábitos alimentares associados ao stress mental e emocional podem “turbinar” células cancerígenas em nosso corpo.

Eu agradeço muito a Deus pela redescoberta de quem eu sou. Ainda diariamente eu lido com muitas de minhas fraquezas, mas hoje eu sei que as tenho, antes não. E hoje eu sei entregá-las a Cristo, antes não. Antes eu achava que todo aquele emocional nervosinho, medroso e ansioso, aquela mente muitas vezes orgulhosa, não iria me causar mal algum. Engano total! Alguém disse “você é o que você come”. Hoje eu acrescento “você é o que você come e o que você pensa”. E aprender a repensar a vida foi essencial para me garantir a saúde depois do câncer. Hoje, quando as emoções doentias me atacam, eu vou até o Senhor, respiro fundo, entrego a Ele os meus medos e ansiedades, agradeço pela sua Graça e Amor e sigo em frente! Sim, precisamos seguir em frente! Deus nos chama a não olhar pra trás, a não nos vestirmos do velho homem novamente! A renovarmos nossa mente nEle! A estarmos pronto para perdoar e nos livrarmos de ressentimentos! Que coisa boa é praticar isso! Dá uma leveza  na alma e no corpo incrível! O evangelho de Jesus é realmente integral! A conclusão foi, quanto mais você segue os ensinamentos do Mestre, melhor você vive!

Até aqui, sendo uma sobrevivente do câncer, tenho conversado com muitas colegas de tratamento, lendo sobre a doença, e lendo os doentes. Eu acredito firmemente que o câncer não é uma doença fatalítica na maioria dos casos. Daquele tipo “não sei porquê tenho câncer”. Assim como a maioria das doenças crônicas, a maioria dos cânceres está ligada a processos inflamatórios e de mutação doentia das células que são na maioria causados pelo nosso estilo de vida e pelo “mundo cancerígeno” em que vivemos (há substâncias tóxicas para todos os lados). Por isso eu acredito que na maioria dos casos, não é somente a mutação celular randômica que causa o câncer. Há evidências fortíssimas indicando o aumento do câncer com a ingestão de açúcar, de carnes açucaradas por rações e bombadas de hormônios, com o sedentarismo, produtos químicos, tabaco, stress mental e emocional, obesidade, e promiscuidade sexual. O câncer parece estar longe de ser azar. Basta olharmos para o mundo em que vivemos e para dentro de nós mesmos.

Então queridos leitores, eu não sei se meu estilo de vida está prolongando os meus dias aqui na terra. A vida e a morte pertencem ao Senhor da Vida. O que eu sei dizer é que hoje eu vivo melhor! O meu desejo para você é que você não espere acontecer algo dramático em sua vida para ter um estilo de vida mais saudável. O combate ao câncer começa ao nascer e continua por todos os dias!

Feliz Dia do Combate ao Câncer!

Nascer da esperança

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Dia de reconsulta

Ontem foi o dia da minha reconsulta no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. E sempre tenho a necessidade de levar alguém comigo… uma amiga, tia, mãe, alguém que possa enfrentar a realidade de um hospital de câncer junto comigo. Mas, ontem não tinha ninguém para me acompanhar. As amigas estavam todas trabalhando e a minha família lá nas Minas Gerais.

Então pedi que o melhor companheiro desse mundo se juntasse a mim naquele momento. Na entrada no hospital, pedi a presença de Jesus ali comigo e
que Ele me fortalecesse para enfrentar o sofrimento de outras pessoas. O meu já havia terminado.

O hospital estava congestionado de pacientes por todos os lados… uns mais fortes, outros mais fracos. Mulheres com perucas, sem peruca, de lenço… e mulheres com o cabelo curtinho como o meu, com o rosto calmo e feliz por ter vencido essa grande batalha. Estava então eu ali, no meio deles, com a força e a paz que só Jesus pode dar. Porque Ele sabe o que é sofrer e sua presença pode consolar a outros que ainda sofrem nessa terra.

Então bem ali na espera do elevador, começo a compartilhar o sofrimento de uma mulher que perdeu o marido com câncer há 5 dias atrás. Ela me contou que fez de tudo pra tratar e salvar a vida dele. A luta foi grande por 1 ano e 6 meses, e enquanto ela lembrava desse sofrimento, as lágrimas começaram a descer em seu rosto. As minhas ficaram engasgadas na garganta. Ela estava ali pela 2a vez para requerer um atestado para repor o dia de trabalho que ela perdeu por conta da morte do marido. E disse que esse dia ia fazer muita diferença no seu orçamento. Ela agora sustenta a casa com um filho de 14 anos.

Disse a ela que o Espírito de Deus iria consolá-la e que a vida continua com todos os nossos aprendizados decorrentes do sofrimento. Eu compartilhei com ela o que aprendi. Falei da importância da fé e da nossa responsabilidade em cuidar bem do nosso corpo, mente e espírito com boa alimentação, atividade física, controle do stress e fé. Foi nesse momento que ela disse que seu marido não seguia nada disso e que continuou fumando durante a quimioterapia. Isso lhe trouxe uma hemorragia que o levou a morte.

Eu descobri que muita gente é assim. Negam a existência do câncer e continuam com os mesmos maus hábitos de sempre, aliado a uma grande revolta de ter sido acometido pela “terrível doença”. Já ouvi muitas pessoas falarem “por que não um assassino, um ladrão? por que logo eu fui ter essa doença?”. E assim não conseguem olhar para si mesmos e aprender com a grande lição que o câncer lhes dá.

Então subi de elevador, e lá no 5o andar, quando esperava a remarcação dos meus exames, sento do lado de moça nova, bonita, com o aspecto ótimo e com uma senhora de lenço sentada do lado dela. Logo pensei, ela é acompanhante dessa senhora. Mas, enquanto conversávamos ela disse que, além da mãe, também teve câncer, e nos ossos. Sua quimioterapia foi pesada, daquelas que se interna para tomar a droga por 24 horas. Depois interna de novo para recuperação do desgaste que a droga traz.

E ela me contava a história dela com uma alegria radiante! A gente conseguiu até rir das nossas histórias. Parecíamos duas loucas agradecendo a Deus por ter tido o câncer. Estávamos gratas por todo o excepcional aprendizado que o câncer nos trouxe e que isso foi recompensador para todas as áreas da nossa vida. Hoje, ela (e eu também) vive melhor, come melhor, está mais sensível ao cuidado do corpo, da mente e do espírito…. faz as coisas que gosta, não se entristece ou se estressa por qualquer razão. Enfim, hoje estamos muito mais de bem com vida do que estávamos antes de adoecer. Gostei tanto da história dela que a convidei a contá-la aqui no blog qualquer dia desses.

Ah… qual foi o resultado da minha reconsulta? A minha médica me disse mais uma vez que meus exames de sangue estavam normais e que eu estava realmente ótima! E o conselho dela foi “para de se preocupar! vai viver e ser feliz!”.

O post dos amigos!

Semana passada eu recebi a notícia da minha médica que meu sangue não tinha mais sinais de câncer. Até aqui, tenho muito que agradecer a Deus e à família, aos médicos
e também aos queridos amigos que me sustentaram e ainda me sustentam no decorrer dessa caminhada.

É dos amigos que quero falar hoje. Sem eles, a minha jornada contra o câncer seria mais difícil. Amigos de longas datas, de datas recentes, amigos de amigos que viraram meus amigos, amigos de fé, amigos-irmãos… aqui vai o meu sincero agradecimento!

Ainda no Canadá, me preparando para vir ao Brasil, pude contar com o apoio de amigos para chorar comigo, orar comigo, empacotar minhas coisas, mudar as minhas
coisas, carregar as minhas malas e dar aquele abraço que só os amigos sabem
dar! Não sei o que seria de mim se não fossem vocês! Sou grata a todos vocês
que pensaram e oraram por mim, mas especialmente:  Carluci e família, Babi, Pauline, Gaby , Tizi, Anne, Norine, Yunice e Angela… em Toronto! E fora os que de outras partes do Canadá me acompanharam por telefone e me ajudaram a tomar as decisões corretas, como a Dea em Vancouver.

Em Campinas-SP, durante a cirurgia, lá estavam eles! Eu e minha família fomos hospedados na casa da ABU, uma casa de estudantes que sabem muito bem o que é acolher outros estudantes perdidos na cidade. Eu era uma delas em 2002 e amei a experiência de passar um ano por lá. E agora com outra necessidade, fui mais que especialmente acolhida pelos amigos da casa da ABU! Além da companhia sempre agradável dos amigos da casa, foi um prazer rever os velhos amigos de Campinas e desfrutar da amizade deles num momento tão difícil. Queria agradecer especialmente: Tiaki, Jussara, Henderson, Aída, Claudinha,  Ana Raquel, Lucas Bracher, Carol e Juliano.

Na volta de Campinas para minha terra natal, dou uma paradinha em Vitória-ES, onde morei por quase 5 anos. Amo rever minhas amigas e amigos mineiros e capixabas. Foi lá que tive o meu primeiro corte de cabelo rumo à mudança radical que estava para
acontecer durante a quimio. Foi lá que caminhei à beira-mar, ainda meio fraca da cirurgia, na companhia de amigos queridos. Foi lá que compartilhei minhas primeiras descobertas de todo esse acontecimento em um círculo íntimo de amigas muito queridas. Especialmente agradeço à Juliana Hott, Juliana Assis, Eloisa, Cíntia, Andressa e Pastor Mário, e seus esposos e esposas e famílias, que direta e indiretamente me apoiaram e ainda me apoiam.

Então volto à minha terra natal para recuperar o fôlego e fazer novas consultas. E lá
estavam eles! As amigas de infância, os amigos da igreja, os vizinhos-amigos…
Obrigada Brígida, Dedé, Denise, Victor, Betânia, Edilza, Rosilene e a todos os
irmãos e irmãs em Cristo que oraram e continuam orando por mim!

Daí chega a hora de fazer as malas de novo. O caminho parecia indicar o tratamento com quimioterapia em São Paulo. A caminho, me hospedo em BH na casa do meu irmão e reencontro Grasi Veríssimo e família, Priscila, Lucas, Alexandre e amigos. Aproveito também a hospedagem de Cátia e Lukas Doro, pais da minha amiga Bárbara. Foi uma parada para eu recuperar o fôlego e seguir em frente! Valeu demais!

Chegando em São Paulo sou acolhida pelos meus amigos Tiago e Giovanna, onde fiquei por 1 mês ou mais, enquanto refazia todos os exames para se ter certeza que a quimio era um tratamento indicado. Eles me apoiaram e ainda acompanham com carinho cada passo, em oração e com especial atenção aos meus projetos. Alterno a
hospedagem deles com a casa da Cassinha e da Millene. Tivemos e ainda temos bons
momentos de compartilhar que fortalecem a fé, além de passeios turísticos e
comprinhas por São Paulo, né Mi? E ainda na primeira fase em São Paulo conheci
a Nívea, que em sua experiência com um câncer de mama, me ajudou muito a
entender os processos do tratamento.

Então vem a quimio. E quem primeiro me acolhe em São Paulo é a minha nova amiga Débora, que faz do seu apartamento a nossa casa e que se tornou no decorrer da caminhada uma grande amiga! Depois foi a hora de me hospedar na casa de Pedro e Mateus, que logo logo fizeram eu e minha mãe nos sentir em casa enquanto procurávamos um lugar mais definitivo pra ficar. Através do Pedro, também conheci outros bons amigos e amigas que me acompanharam nos “ups and downs” da quimio. Agradeço também à Mayra, Tânia e Netão por me ajudarem mais de perto durante o
tratamento.

Ainda em São Paulo, tive o privilégio de participar dos encontros da ABUB, durante os quais tive a oportunidade de estabelecer amizades com novos estudantes e companheiros de ministério. Ju Brunelli, André, Camila Leandro, Andrea Angé e Alê Audi Ricco, Tais Santos, Priscila e todos os outros amigos da ABU-SP que oraram e ainda me acompanham nesse Movimento tão gostoso que é a ABU. Para fortalecer ainda mais a comunhão, participei da igrejinha com as hermanas Tais e Ju Noronha e tantos outros que oraram e continuam orando pela minha recuperação.

Enfim, encontramos nosso cantinho em São Paulo! Inacreditavelmente, o contato veio do Canadá, através da minha amiga Tiziana. Quando entramos no apartamento fomos recebidas pela simpática e agora muito amiga, Vera. Ela nos fez acomodar em sua casa como se fosse a nossa também. Alugou-nos toda a casa pelo preço de um quartinho em São Paulo. Considero a casa da Vera o meu Lar de Recuperação. E eu e minha família a consideramos uma amiga muito especial, na verdade uma irmãzona, agora parte também da nossa família!

Ainda têm os amigos que não puderam participar pessoalmente do meu processo doença-saúde, mas que de longe oraram incessantemente pela minha cura e restauração. Agradeço a todos da lista de email (amigos brasileiros, canadenses, chineses, japoneses, etc) que me apoiaram em oração e pensamento durante o meu tratamento.

Não é à toa que este é o post mais longo do meu blog. Tenho o privilégio de ter uma lista longa de amigos que fizeram e fazem parte da minha vida de uma maneira muito
especial. Enquanto escrevo esse post, meu coração se aquece de gratidão a Deus
por ter colocado amigos tão especiais no meu caminho. Se hoje estou restabelecida, devo também a eles que expressaram o amor de Deus por mim.

Saibam que o meu amor e gratidão por vocês vai muito além desta homenagem no meu blog. Não podia adiar mais este blog de agradecimentos, pois estes estão sendo acumulados no decorrer de nossa amizade… Haja página de blog pra agradecer o que vocês fizeram e ainda fazem por mim! Que possamos usufruir da bênção da amizade por muitos e muitos anos de vida que, se Deus quiser, teremos pela frente!

Um beijo grande em todos! Qualquer coisa, se precisar, estou aí! 🙂

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Vale a pena deixar para depois?

Já dizia o provérbio… “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Mas, todos nós temos tantas coisas a fazer em um só dia que as 24 horas não bastam. Então procrastinar torna-se um hábito na vida de milhares de pessoas ao redor do mundo, incluindo a minha. Este hábito de adiar uma ação, que poderia ser feita em determinado momento, pode ser considerado um bem ou um mal.

A procrastinação se torna perigosa, inclusive à saúde, quando gera stress para se completar uma tarefa adiada para a última hora ou quando gera a angústia de não se tê-la feito… ainda. Mas, a procrastinação também traz um certo prazer e alívio. Um alívio falso e momentâneo de não ter que lidar com uma tarefa mais complexa e de maior esforço em um determinado momento. Então se distrair com algo mais fácil e divertido de se fazer em comparação à tarefa em questão, torna a procrastinação mais gostosa e atraente.

Quem nunca procrastinou em frente ao Facebook? A rede social mais famosa do mundo diariamente distrai a maioria de nós de coisas mais importantes a fazer. As centenas de atualizações diárias com fotos e status de dezenas de amigos nos deixam loucos e curiosos para clicar e continuar clicando. Quando damos conta do tempo, este já se foi… daí a madrugada nos espera para terminarmos nossos afazeres.

Bom, não sou psicóloga nem terapeuta para dar conselhos sobre procrastinação. Não sei, mas na minha cabeça, eu comparo a procrastinação à obesidade. Nesta acumulamos gordura desnecessária ao organismo, e naquela acumulamos atividades contrárias à produtividade. E ambas, para serem combatidas/evitadas exigem muita disciplina, determinação e exercício diário!

Na apresentação deste blog, disse francamente que tenho dificuldade em planejar e organizar melhor o meu tempo. E acredito que, como muita gente nesse mundo, ainda sofra de procrastinação. Só não quero que esta se torne patológica, nunca mais! Sei que diariamente terei que fazer o esforço de planejar melhor minhas atividades, focar na tarefa mais importante do dia, dizer não às distrações, etc… até que tudo isso se torne um hábito natural e prazeiroso.

No post de apresentação dos primeiros capítulos deste blog disse que falaria de 4 fatores que afetaram a minha saúde: 1. o stress e o estado emocional, 2. a alimentação, 3. a atividade física, 4. a espiritualidade (digo, meu relacionamento com o Deus da Bíblia). Hoje, acredito realmente que a procrastinação, embebida em todos esses fatores, comprometeu a minha saúde.

Agora chega de falar do que já passou e me atrapalhou! Daqui para a frente vocês vão me acompanhar no passo-a-passo do meu novo “regime”, na fase de recuperação e reorganização da vida. Em algumas áreas tenho sido mais bem sucedida do que em outras. Mas, o importante é olharmos para o Alvo e seguirmos sempre em frente!

Por onde andava a minha fé…

Eu achei que não estava tão longe assim. Mas, logo que Deus novamente afinou o meu relacionamento com Ele, vi que antes eu era como um barquinho à deriva que sorrateiramente ia se afastando da praia.

Naquele tumulto todo de stress, emoções fora do lugar, confrontameto da fé na universidade, não soube ao certo o que levou meu coração a ficar tão duvidoso quanto a certos aspectos da minha fé cristã. De alguma forma, eu parecia estar longe de Deus. Aquele mesmo Deus que se revelou a mim através da pessoa de Jesus Cristo quando tinha apenas 6 anos de idade. Aquele mesmo Deus que se mostrou presente em tantos momentos decisivos da minha história. Aquele mesmo Deus que moveu barreiras intransponíveis para manifestar Sua glória em minha vida. Aquele mesmo Deus que alcançou a vida do meu pai e que o tornou um servo d’Ele. Aquele mesmo Deus que se revelou a tantos estudantes nas universidades do Brasil e do mundo, enquanto fazia (e ainda faço) parte da Aliança Bíblica Universitária. Aquele mesmo Deus que se tornou conhecido à dezenas de estudantes internacionais no Canadá durante nossos estudos bíblicos. Aquele mesmo Deus que vem agindo na vida de milhares ao redor do mundo para dar sentido à vida e resgatar nossa verdadeira identidade de Filhos de Deus. Era deste Deus, do qual passei a minha vida inteira tão perto, que estava me afastando naquele momento.

Hoje me pergunto como isso veio a acontecer. Bom, aprendi com o prórpio Jesus que é lá no íntimo do coração que o pecado cria suas raízes. Ele disse à multidão, no Sermão do Monte, que os atos externos, como por exemplo o adultério e o assassinato, têm sua origem nos sentimentos e desejos maliciosos do homem lá dentro de seu coração. E é exatamente lá que a pessoa de Jesus quer entrar e mudar tudo.

Confesso que meses antes de adoecer, externamente continuava a mesma pessoa, com as mesmas “atividades religiosas”. Era lá dentro de mim que alguns fundamentos da minha fé estavam estranhamente começando a ruir, mas não totalmente. Alguns pilares ainda estavam bem sólidos, mas outros, principalmente os relacionados à fé no sobrenatural, já apresentavam rachaduras.

Hoje eu entendo perfeitamente que não podemos acreditar pela metade. Não podemos acreditar somente em determinadas partes das Escrituras Sagradas. Não dá pra acreditar que Deus pode mudar somente certos aspectos da vida humana. Não dá pra entregar somente parte do nosso coração a Ele. Ele conhece tudo e quer novamente ser o Senhor de tudo o que há em nós, como era lá no princípio de todas as coisas.

Ainda não conhecemos tudo, vemos parcialmente, como já dizia o apóstolo Paulo em I Coríntios 13:12. Mas, um dia veremos face a face Aquele que é o autor e consumador de nossa fé! Você crê?

A fisioterapeuta que não se movimentava direito

Uma das lições mais importantes que tenho aprendido no meu processo de entendimento do que aconteceu com a minha saúde é que a vida é dinâmica e precisa ser vivida com movimento e fluidez. A vida tem ritmo e nós também. E quando paramos de nos movimentar, enquanto tudo se movimenta ao nosso redor, ficamos em descompasso com a vida. Acho que o que estou tentando filosofar aqui é que o sedentarismo (e hoje também acho que além do físico, existe o sedentarismo mental e espiritual) favorece o aparecimento de doenças em nosso organismo. E que também movimentar-se em um ritmo irregular e esporádico pode ser um engano para a nossa saúde. Não quero trazer aqui estudos sobre o exercício e seus benefícios à saúde, pois disto a internet e os programas de TV estão cheios.  E mais para frente falarei sobre algumas evidências científicas da relação entre a atividade física e o câncer. Hoje, apenas trarei à luz o que tenho observado em pessoas saudáveis e em mim mesma, essa pessoa que se adoeceu, mas que vem se recuperando com algum aprendizado.

Figura retirada do ClipArt, Microsoft Office Word 2007

O que eu percebo, e muitos de vocês já devem ter notado, é que as pessoas que são equilibradamente mais ativas, tanto fisicamente quanto mentalmente, são as que menos sofrem de doenças e vivem com mais qualidade de vida. Eu fiz um estudo de caso da minha mãe, a pessoa mais ativa e saudável e que está mais perto de mim agora. Ela toma seu cafezinho com açúcar de manhã e de tarde, nunca fez grandes modificações na sua dieta, mas come bem e de forma equilibrada, e sem exageros. Não pára de se movimentar um minuto, e em atividades do lar mesmo… varrendo, passando pano no chão, tirando a poeira, lavando roupa, cozinhando… todo santo dia, menos no dia santo. E ainda quando sobra um tempinho, faz caminhadas com as amigas ou vai para a hidroginástica. Nunca vi minha mãe parada dentro de casa, remoendo coisas ruins em seu coração.

Agora, a filha dela já não foi pelo mesmo caminho. Eu sempre tive um tipo meio atlético, mas nunca fiz jus ao meu porte. Sempre pratiquei atividades físicas irregulares como o surf, a nadadinha na praia e a caminhada de vez em quando, o voleibol semanal… todas eram atividades que não davam para ser praticadas com regularidade e no ritmo para um condicionamento físico ideal. E com isto, a partir de um certo momento na minha vida, fui maqueando o meu sedentarismo com esses irregulares exercícios. Acho que é por isso que a barriguinha sempre esteve lá… daqui em diante não entrarei em detalhes (rs).

Enfim, não quero mais viver uma vida arritmada e sem movimento. Ainda há tempo de fazer mudanças consideráveis. De me disciplinar para entrar no ritmo de um bom condicionamento físico e mental. Pois enquanto há vida, há movimento!

O prato nosso de cada dia

Acabei de almoçar e resolvi então escrever o post sobre alimentação. Estava aqui comendo e comparando a minha atual alimentação com a antiga. Pra você ter uma idéia, hoje almocei salada verde com alface, agrião, rúcula, salsinha, cebolinha e coentro acompanhada de beterraba e cenoura raladinhas, somadas ao arroz integral cozido com inhame e caule de couve, além do feijão ao alho… no lugar da carne vermelha, comi ovo frito e sardinha ao óleo de azeite. Tudo delicioso ao tempero da minha tia Esperança! Terminei de comer contando quanta coisa boa tinha acabado de ingerir: 7 tipos de verduras, 3 tipos de legumes, 2 tipos de grãos, além do ovo e peixe. As duas colherinhas de sorvete de creme com baixo teor de açúcar e um pedacinho de bolo de côco fecharam com chave de ouro!

Eu nunca fui de comer mal, mas também nunca comi tanta variedade de legumes e frutas como tenho comido agora. Na verdade, meses antes de fazer a radical descoberta, a minha alimentação tinha desgringolado bastante, talvez como reflexo de tudo que estava acontecendo ao meu redor. Estava consumindo muita carne vermelha lá no Canadá, e achava que esta, associada ao arroz, feijão enlatado e salada de tomate e alface, já estava de bom tamanho. Variava muito pouco este “prato nosso de cada dia”, e não queria trocar o bife por nada. Acho que ingeria carne vermelha 3 a 4 x mais do que seria recomendado por semana (200 g ou 2 bifinhos). E na ausência do pratinho brasileiro, comia hamburguer, batata frita com refrigerante ou suco de fruta adocicado (enlatado ou de caixinha). Sobremesa? Chocolate, claro. Às vezes levava uma frutinha na bolsa . Mas, diante da pressão e do stress do meu doutorado, o que rolava mesmo era chocolate em frente ao computador do meu laboratório. Sem falar no cafezinho né? Todos os dias pela manhã e durante a tarde tomava um cafezinho com os colegas de laboratório. E no Canadá, cafezinho é apelido né minha gente! A gente tomava mesmo era no mínimo 300 ml de café do Starbucks e Second Cups da vida (com açúcar no meu caso, que cresci tomando café adoçado da minha mãe).

Alguns pesquisadores sugerem que o açúcar deva ser tratado como o tabaco por estar associado a doenças degenerativas e do coração, ao derrame cerebral, ao diabetes, e até a certos tipos de cânceres.  As bebidas adocicadas, como os refrigerantes, são apontadas como os principais veículos desse alto consumo de açúcar pela sociedade moderna.

O açúcar e a farinha branca parecem mesmo ser os principais vilões! Eles aumentam rapidamente a taxa de glicose no sangue, a qual imediatamente provoca a secreção de insulina e a liberação de fatores de crescimento (como o insulin-like growth factor), que por sua vez estimula o crescimento das células. O açucar também é considerado um pró-inflamatório, e hoje se sabe que a inflamação é um fator contribuinte para o crescimento de tumores. 

A carne vermelha também já vem sendo combatida como uma vilã do câncer e de algumas doenças crônicas, principalmente as processadas como linguiças, hamburguers, presuntos e salames. E eu já reduzi bastante o consumo de red meat na minha dieta! Tenho aprendido a apreciar o sabor dos peixes, do ovo e da carne branca… Como uma boa brasileira e fã de churrasco, não foi fácil, mas consegui!

Fiquemos de olhos bem abertos com nossa dieta! Eu tive que obrigatoriamente abrir o meu. E hoje já não como coisas saudáveis por obrigação. Hoje eu sinto prazer em um cafezinho sem o açúcar pela manhã (na verdade, tem mais sabor), no pão e arroz integrais, nos sucos naturais só com o açúcar das frutinhas e no chocolate com no mínimo 70% de cacau. Carne vermelha? Só dois bifes por semana!

Mudar hábitos de vida não é fácil pra ninguém. Eu ainda estou no processo… e nos posts sobre a minha recuperação, darei mais detalhes de como tem sido a deliciosa aventura de mudar a alimentação, do café da manhã ao lanchinho da noite antes de dormir… Aguardem! E bon appétit!

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