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O doutorado que me transforma

Eu me lembro bem do dia em que comecei a pensar em fazer um doutorado. Eu anotei no meu diário. Anotei as razões pelas quais eu queria um doutorado. Pensei no projeto e rascunhei um projeto. O que não pensei era que sonho e desejo sem planejamento e muita persistência não ia me levar muito longe.

Eu sempre tive uma mente muito criativa. Já até pensei em ser artista por causa da minha mente espontaneamente criativa. Mas, definitivamente, criatividade não é o bastante para se completar um doutorado. Eu também sempre fui muito empolgada e feliz com minhas realizações. Mas, também te digo que empolgar com seu projeto não garante que ele será bem executado e a tempo.

Portanto, para eu terminar o meu doutorado, estou tendo que passar por mudanças radicais. Primeiramente, planejamento é essencial. E mesmo não sendo uma pessoa bem planejada, tenho que me esforçar em ser, caso queira completar essa grande tarefa. Não dá pra deixar que as circunstâncias de cada dia lidere minha agenda. E não dá pra planejar à medida que houver necessidade. Isso não é planejamento. Tenho aprendido que planejar é antecipar uma estratégia de execução dentro de um cronograma viável para que quando vier a hora de executar o projeto, você tenha os recursos necessários para fazê-lo. Ainda estou engatinhando nessa área, por sinal.

Também tive que aprender o que é a verdadeira persistência. Eu sempre achei que era uma pessoa persistente. Mas, agora estou tendo que exercitá-la ao nível máximo. Não digo “dar murro em ponta de faca”. Digo persistir em aprender, em fazer de novo e de novo quando algo dá errado, até dar certo. Quero dizer que estou aprendendo a persistir no alvo correto. Aprendendo a persistir mesmo quando a vontade é a de desistir.

Outra característica que tive que desenvolver é o foco. Está pra existir uma pessoa mais hiperativa e dispersa do que eu. Eu consigo fazer mil coisas ao mesmo tempo e ainda prestar atenção em tudo que está ao meu redor. Focar para mim é muito difícil. Mas, Deus tem me ajudado. E o marido também. Não dá pra viver aqui e ali, começando uma coisa e outra atrás da outra, sem terminar nada. É importante almejar a conclusão de uma tarefa, estabelecer prazos e desenvolver o foco correto para completá-la.

Além de foco, eu também precisei ir mais a fundo no conhecimento. Doutorado na verdade é isso. Você se aprofunda numa área restrita de conhecimento e testa teorias a respeito. Não dá pra levar um doutorado como se estivesse num “playground”. Eu cheguei aqui assim. Querendo estudar tudo e medir tudo. Comprovar de tudo um pouco. Não deu tempo e nunca daria. O meu comitê de avaliação teve um papel fundamental de me guiar para um conhecimento mais focado e profundo do meu projeto de doutorado.

Ah, e não menos importante. Estou aprendendo a mansidão e o controle emocional. Gente, quem me conhece sabe que eu sou emoção pura. Mas, não dá pra desenvolver um doutorado com emoções à flor da pele. Se eu for sentir e levar para o coração as críticas e os diferentes pontos de vista sobre o meu trabalho, eu estou perdida. É preciso parar e filtrar o que realmente precisa ser levado para o coração. Senão, você se desgasta muito.

Bom, são muitos os aprendizados. Vejo que Deus tem me ajudado a aprimorar muita coisa através deste doutorado. Mas, mesmo com todas essas mudanças, eu sei que nunca me tornarei uma outra pessoa. Eu tenho uma identidade e uma personalidade que são só minha. Deus me fez assim e me amou assim desde a fundação do mundo. Mas, Ele tem prazer em me transformar e em me aperfeiçoar para Sua glória. Por isso, enquanto eu viver, Ele estará trabalhando em mim.

Porque a beleza da vida é isso, você vive e aprende algo novo todos os dias!

É por isso que vou seguindo assim… doutorando e aprendendo! Porque ninguém já nasce sabendo! 🙂

Estudando_pordosol

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